segunda-feira, março 03, 2014

Que feio, USA!


Já tinha ouvido algo sobre a máquina de raio-x, mas isso é muito sério. Será verdade? Se for, muito tyriste e desrespeitoso. Veio da Folha de São Paulo:

O passageiro tira os sapatos, o cinto, esvazia os bolsos e levanta os braços na cabine que faz a revista com raio-X nos aeroportos americanos. Enquanto tentam descobrir se há algum metal, líquido ou explosivo no corpo (e na bagagem de mão) do cidadão, funcionários da Agência de Segurança dos Transportes (TSA, da sigla em inglês) fazem comentários debochados sobre o corpo das pessoas, chamam os colegas para analisar uma passageira "gostosa" e dão uma "canseira" se o passageiro "parecer do Oriente Médio". Por quase sete anos, Jason Harrington, 33, trabalhou no aeroporto internacional de Chicago, vendo o "teatro" das medidas de segurança, como ele as define. Até que criou um blog, em outubro de 2012, "Taking Sense Away" (levando embora o bom senso), brincando com a sigla da agência.

O blog viralizou, rendendo reportagens em jornais como "New York Times" e "Wall Street Journal" e criando mais um constrangimento à agência de 55 mil funcionários criada em novembro de 2001, logo após o 11 de Setembro. Apenas três meses depois das primeiras acusações do blog -de que os funcionários podiam ver, basicamente, o corpo nu dos passageiros e que "muitas outras coisas passavam batidas"-, a TSA cancelou em janeiro do ano passado o contrato com a empresa que fornecia os 250 equipamentos. Os atuais, de outro fornecedor e que o delator também operou, só permitem ver os contornos do corpo. Cada máquina custa US$ 180 mil (R$ 418 mil). Harrington deixou a TSA em maio, mas só revelou sua identidade na última edição da revista do site "Politico".

O "teatro" da revista nos aeroportos, segundo ele, ocorre porque as máquinas alertam que há algo estranho no corpo dos passageiros "quando não há nada". "Depois de tanto alarme falso, quando apita de novo, passa batido", disse ele à Folha. Sobre as multidões de turistas brasileiros nos aeroportos americanos, ele recorda que gostava de puxar papo com os brasileiros ("gosto de bossa nova", diz) "porque eles pareciam muito, mas muito nervosos". "Acho que qualquer um que vem de um país mais relaxado ou sem experiência com terrorismo fica mesmo mais tenso diante dessas engenhocas", diz. Ele conta que, na gíria do pessoal da TSA, os estrangeiros assustados "passam até o gato pelo raio-X". Quando uma passageira atraente se aproxima, é chamada de "alerta vermelho" ou "alerta amarelo" (conforme a roupa que usar). Mas o grito mais usado para chamar os colegas para "olhar" a revista eletrônica feminina é "raio-X! Raio-X! Raio-X!".

Para Harrington, parte do mau comportamento dos funcionários se deve a ser um grupo de "gente muito jovem, sem muito treinamento, com baixos salários". Por quatro horas diárias, um funcionário recebe US$ 24 mil/anuais (R$ 56 mil ou R$ 4,6 mil por mês). Para a jornada integral de oito horas, o salário médio é de US$ 37 mil. O ex-funcionário diz que a segurança nos aeroportos "deu uma relaxada", mas que "basta um caso de alguém com um explosivo no sapato em qualquer lugar do mundo para haver um retrocesso". Após ser aprovado para fazer o mestrado em escrita criativa na Universidade do Mississipi, para onde se mudou no ano passado, Harrington leciona literatura para os calouros. Prepara um romance baseado em suas experiências no aeroporto e já foi assediado por produtoras de TV que querem transformar suas inconfidências em séries.

Sérgio

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