sábado, março 19, 2016

Parabólica América #84


Para quem perdeu, esse foi o Parabólica América #084, deste Sábado! Tem três flashbacks do Hot 100 de 28 anos atrás muito bons...

Sérgio

Delação Premiada


Ouvi esta semana que a Delação Premiada é um absurdo, que não se tem isso nos Estados Unidos e por aí vai. Vou colocar aqui alguns fatos interessantes e recomendo a leitura dos dois links abaixo, o primeiro do site Âmbito Jurídico, sobre o Brasil e o segundo da American Bar Association, a OAB dos Estados Unidos.

Primeiramente, qual a razão de se criticar este instituto, em vigor no Brasil desde 1990, só agora? Para certos tipos de crime, em especial os que envolvam combate ao crime organizado, como no caso da Máfia, na Itália, na famosa Operação Mãos Limpas, só com Delação Premiada. Este tipo de crime, especialmente de colarinho branco, não tem prova no papel, rastros. Só se chega ao centro dos fatos pelas delações e provas fáticas dos resultados de suas ações.

Isso sobra no caso do PT. Desnecessário se criticar o instituto. Em especial em um País onde impera a impunidade, como no Brasil.

Quanto ao fato que só se pune o PT, criticam Sérgio Moro por "perseguir" o partido, mas o processo que ele investiga é centrado neles por serem os "donos da banca" nos fatos que ele começou a julgar. A culpa é dos fatos, comandados pelo PT. Ele não pode incluir todos, Aécio, PSDB, ao livre arbítrio. Isso é devido processo legal

Há outros processos em andamento para os outros casos que não são dele e quero que TODOS sejam julgados como Moro o faz. Qual a razão de processos do PSDB empacarem? Errado. Se vamos passar o País a limpo, tem de ser INTEIRO. Mas, criticar o único instituto que permite combater o Crime Organizado, a Máfia que se instalou no Brasil, é um erro. Dizem que só réus presos delatam. Óbvio: o cara solto, se achando, não pensa que vai ser necessário. 

Dizem que os Procuradores e Juízes constrangem com a prisão, mas quem fala das ameaças dos comparsas aqui fora? Quando uma bala perdida mata alguém na favela, é sempre culpa da Polícia. Ela apanha. Mas ninguém fala do bandido que trocava tiros com ela. Qual a razão? Primeiro, é mais fácil brigar com Poder Constituído, dá Ibope e pode render $. Segundo, o Poder Constituído não se vinga. O bandido pode te achar. A Delação Premiada é igual: ou se faz PRESO ou não se faz.

PONTO. 

Sérgio


sexta-feira, março 18, 2016

E na Espanha...


O quê pensa um ser destes? Na Espanha, juíza pergunta a vítima de abuso se ela 'fechou as pernas'. Veio do G1:

As perguntas de uma juíza para uma vítima de abuso sexual e psicológico causaram respostas e críticas nas redes sociais, além de declarações de um grupo feminista. Durante o depoimento, a magistrada perguntou: “fechou bem as pernas?” e “fechou toda a região dos orgãos femininos?”. A situação começou em 16 de fevereiro na cidade de Vitoria, na Espanha. A vítima denunciou à polícia e pediu proteção de um homem que a maltratava com agressões sexuais e psicológicas. No dia seguinte, a mulher foi chamada pelo Juizado de Violência contra a Mulher, onde a juíza María del Carmen Molina Mansilla a interrogou sobre o caso. A vítima estava grávida de 4 meses. Durante as declarações, segundo a Associação Clara CampoAmor, a juíza mostrou uma “clara predisposição de incredulidade sobre o testemunho da denunciante, interpretando-a sem deixar terminar com a resposta, realizando perguntas sugestivas e condicionando suas declarações”, com disse Blanca Estrella, representante do grupo feminista. Ainda segundo a associação, após as perguntas da juíza sobre se a vítima havia “fechado bem as pernas”, a vítima respondeu, “atônita”, que sim. A abordagem foi bastante criticada e classificada como “degradante e humilhante” pela organização feminista. A Associação Clara CampoAmor pediu ao Conselho Geral do Poder Judicário que suspenda ou afaste a titular o cargo por sua “constante violação de direitos” de mulheres vítimas da violência de gênero. O jornal “El Mundo” ainda disse que não é a primeira vez que a juíza é acusada de questionamentos ofensivos contra vítimas na região.

Sérgio

quinta-feira, março 17, 2016

Ministério ilegal...


Sem comentários... E dessa maneira, ultra republicana, que a quadrilha trabalha... E aí, Judiciário? Vão aceitar?

Sérgio

quarta-feira, março 16, 2016

Lula & Dilma...


Esse País é uma vergonha... Ouçam os áudios no link a seguir. É o fim do Mundo! Veio do G1:

O juiz Sérgio Moro retirou nesta quarta-feira (16) o sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As conversas gravadas pela Polícia Federal incluem diálogo desta quarta com a presidente Dilma Rousseff, que o nomeou como ministro chefe da Casa Civil. No despacho em que libera as gravações, Moro afirma que, “pelo teor dos diálogos degravados, constata-se que o ex-Presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos”. Moro afirma, ainda, que alguns diálogos sugerem que Lula já sabia das buscas feitas pela 24ª fase da Operação Lava Jato no início do mês. Leia a íntegra do despacho. O advogado de Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, disse que a divulgação do áudio da conversa entre a presidente Dilma Rousseff com Lula é uma 'arbitrariedade' e estimula uma 'convulsão social'.

Conversa com Dilma

- Dilma: Alô

- Lula: Alô

- Dilma: Lula, deixa eu te falar uma coisa.

- Lula: Fala, querida. Ahn

- Dilma: Seguinte, eu tô mandando o 'Bessias' junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!

- Lula:  Uhum. Tá bom, tá bom.

- Dilma: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.

- Lula: Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.

- Dilma: Tá?!

- Lula: Tá bom.

- Dilma: Tchau.

- Lula: Tchau, querida.

O Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, disse que o diálogo de Dilma, ao contrário da interpretação da oposição, não estava dando a Lula um documento para ele se livrar de possível ação policial. Segundo o ministro, a presidente estava enviando a Lula o documento chamado termo de posse, para ele assinar. Isso porque Lula, de acordo com Cardozo, estava com problemas para comparecer à cerimônia de posse marcada para quinta-feira (17). O Planalto emitiu nota em que afirma que vê 'afronta' a direito de Dilma na divulgação do telefonema. Leia na íntegra.

Cargo de ministro

Em outro trecho, Lula afirma que jamais iria para o governo para se proteger.  Ele conversa com Valmir Moraes da Silva e com o governador do Piauí Wellignton Dias.

- Wellington Dias: O Brasil precisa nesse instante de você aqui. Sei que não é uma operação que não é fácil para você. Há, pelo que eu sei, disposição dela [Dilma] e acho que vale a pena, viu presidente?

- Lula: Mas deixa eu te falar, eu vou ter uma conversa com ela, porque não é fácil. Não é uma tarefa fácil. Veja, eu jamais direi ao governo para me proteger.

- Wellington Dias: Não, eu sei. Mas não é para isso. Isso que você está fazendo é uma coisa excepcional. É uma coisa fantástica que você está fazendo se caminhar nas duas direção [sic] o que você está fazendo, essas duas medidas que a gente tá tratando da economia. To aqui para falar com ela [Dilma] sobre isso. Oito partidos, 21 governadores, que dão sustentação às mudanças que ela precisa fazer para a economia. Não tem jeito. Ela tem que aumentar um pouco o endividamento para poder ter dinheiro para fazer esse país.

- Lula: Eu acho, eu acho, eu acho. A coisa mais simples que ela tem que fazer.

Influência

O juiz diz que algumas em algumas conversas se fala, aparentemente, "em tentar influenciar ou obter auxílio de autoridades do Ministério Público ou da Magistratura em favor do ex-Presidente". Moro ressalta, porém, que não há nenhum indício nas conversas, ou fora delas, de que as pessoas citadas tentaram, de fato, agido "de forma inapropriada". "Em alguns casos, sequer há informação se a intenção em influenciar ou obter intervenção chegou a ser efetivada", observa o juiz.

Um dos casos citados por Moro faz referência à Ministra Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal (STF), "provalvemente para obtenção de decisão favorável ao ex-Presidente na ACO 2822". Na ocasião, Weber negou pedido apresentado pela defesa do ex-presidente para suspender duas investigações sobre um triplex em Guarujá (SP) e um sítio em Atibaia (SP) ligados a ele. "A eminente Magistrada, além de conhecida por sua extrema honradez e retidão, denegou os pleitos da Defesa do ex-Presidente", afirmou Moro.

Sobre o assunto, Lula falou com Dilma sobre o pedido feito pela defesa dele ao STF. “Eu acho que eles queriam antecipar o pedido nosso que tá na Suprema Corte, que tá na mão da Rosa Weber”, disse o ex-presidente. Depois do diálogo com Dilma, Lula conversa com o então ministro chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, e solicita que ele converse com Dilma a respeito “de negócio da Rosa Weber”.
Lula: “Mas viu, querido, ela tá falando dessa reunião, ô Wagner, que queria que você visse agora, falar com ela, já que ela tá aí, falar o negócio da Rosa Weber, que tá na mão dela pra decidir. Se homem não tem saco, que sabe uma mulher corajosa possa fazer o que os homens não fizeram”.

Outro ministro que também aparece nos diálogos é Ricardo Lewandowski. "Há diálogo que sugere tentativa de se obter alguma intervenção do Exmo. Ministro Ricardo Lewandowski contra imaginária prisão do ex-Presidente, mas sequer o interlocutor logrou obter do referido Magistrado qualquer acesso nesse sentido", consignou o juiz. A ministra Rosa Weber e a presidência do STF informaram que não iriam comentar o caso.

Moro afirma também que há menção ao recém nomeado Ministro da Justiça Eugênio Aragão, sobre quem Lula diz que "parece nosso amigo", mas de quem reclama porque "este não teria prestado qualquer auxílo". "Eu às vezes fico pensando até que o Aragão deveria cumprir um papel de homem naquela porra, porque o Aragão parece nosso amigo, parece, parece, mas tá sempre dizendo 'olha...'.", diz trecho da conversa.  Eugênio Aragão informou que não iria se manifestar. O juiz registra no despacho que registrou essas referências "apenas para deixar claro que as aparentes declarações pelos interlocutores em obter auxílio ou influenciar membro do Ministério Público ou da Magistratura não significa que esses últimos tenham qualquer participação nos ilícitos". Para Moro, porém, isso "não torna menos reprovável a intenção ou as tentativas de solicitação".

Operação

No dia 27 de fevereiro, dias antes do cumprimento do mandado de condução coercitiva contra Lula pela Operação Lava Jato, Lula conversou com o presidente do PT Rui Falcão sobre o assunto. Lula: “É, eu tô esperando segunda-feira. Eu tô esperando segunda-feira a Operação de busca e apreensão na minha casa, do meu filho Marcos, do meu filho Fábio, do  meu filho Sandro, do meu filho Claudio”. Rui Falcão: “É, eu vi esse noticiário aqui”.

Campanha de 2018

Logo após deixar o aeroporto de Congonhas, onde prestou depoimento para a força-tarefa da Operação Lava Jato no início do mês, Lula criticou as investigações em conversa telefônica com Dilma. O ex-presidente diz para Dilma que irá aproveitar a militância e antecipar a campanha para 2018. "Eu, estou dizendo aqui pro PT, Dilma que não tem mais trégua, não tem que ficaracreditando na luta jurídica, nós temos que aproveitar a nossa militância e ir pra rua. Eu sinceramente, que tô querendo me aposentar, eu vou antecipar minha campanha pra 2018, eu vou acertar de viajar esse país a partir da semana que vem, sabe?! E quero ver o que vai acontecer. É, lamentavelmente, vai ser isso, querida. Eu não vou ficar em casa parado", afirmou Lula.

'República de Curitiba'

Na sequência da conversa, em que Dilma e Lula criticam a divulgação da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), Lula faz referência ao que ele chama de "República de Curitiba".  "Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, nós temos um Superior Tribunal de Justiça totalmente  acovardado, um parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos é que o PT e o PC do B é que acordaram e começaram a brigar. Nós temos um Presidente da Câmara f....., um presidente do Senado f....., não sei quanto parlamentares ameaçados, e fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e que vai todo mundo se salvar. Eu, sinceramente, tô  assustado com a 'República de Curitiba'. Porque a partir de um juiz de primeira instância, tudo pode acontecer nesse país".

Espetáculo

Na mesma conversa, o ex-presidente afirma que o juiz Sérgio Moro "quis fazer um espetáculo, antes da decisão daquele negócio que tá no Supremo pra decidir, a gente não  sabe se é contra ou a favor, mas ele precisava fazer um espetáculo de pirotecnia. As perguntas foram as mesmas que eu  já respondi ao MP e a dois delegados da PF", disse Lula. Ele segue criticando as apreensões nas casas dos filhos e dos membros do Instituto Lula, como Clara Ant. "A Clara tava dormindo sozinha quando entrou cinco homens lá dentro, ela pensou que era presente de Deus, era a Policia Federal, sabe? então...(risos)".

Dilma respondeu: "Ela pensou que era um presente de Deus? (risos)"

"Então é isso Dilma, eu acho que foi um espetáculo de pirotecnia. A tese deles é de que tudo que tá acontecendo foi uma quadrilha montada em 2003 e que portanto, sabe, ela perdura até hoje, sabe? E dentro do Palácio, é a tese deles, é a tese deles. Então eles não precisam de explicação, como a teoria do domínio do fato não precisava de explicação, o crime estava dado, agora é o seguinte a imprensa diz que é criminoso e eles colocam em prática", criticou Lula.

Janot

Em relatório feito a partir dos áudios, a PF traz trecho em que Lula comenta com Luiz Carlos Sigmaringa Seixas que Rodrigo Janot, procurador-geral da República, recusou quatro pedidos de investigação do senador Aécio Neves, mas aceitou um único contra ele. “Em seguida, Lula sugere que Janot, como forma de gratidão por ter sido nomeado por ele, não poderia ter aceitado o pedido de investigação: ‘Essa é a gratidão...Essa é a gratidão dele por ele ser Procurador’”, afirmou Lula, segundo a PF. Conforme os investigadores, Sigmaringa Seixas sugere utilizar a imprensa para constranger Janot, ao que Lula responde: “Então conversa com o Cristiano”. A conversa termina em seguida.

Procurador de Rondônia

Segundo a interpretação da Polícia Federal, em uma conversa com o ex-ministro Paulo Vanuchi, Lula sugere levantar provas para acusar o procurador de Rondônia Douglas Kirchner, que foi acusado de participar de castigos contra a própria mulher. O caso foi arquivado pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal. Kirchner investiga Lula em um caso de suposto tráfico de influência para favorecer empreiteiras a conseguir empréstimos com o BNDES.

Lula: "Nós vamos pegar esse de Rondônia agora, eu vou colocar a Fátima Bezerra e a Maria do Rosário em cima dele".

Paulo Vannuchi: "É isso mesmo!".

Lula: "Sabe porque, eu até tirei um sarro da Clara Ant de ficar procurando o que fazer, faz um movimento das mulheres, contra esse f.. d. p...! Ele batia na mulher, levava a mulher no culto religioso, deixava ela sem comer, dava chibatada nela, sabe?! Cadê as “mulher de grelo duro” lá do nosso partido?!"

Paulo Vannuchi: "(risos) É isso, mestre!"

Fim do sigilo

Segundo Moro, o “levantamento [do sigilo] propiciará assim não só o exercício da ampla defesa pelos investigados, mas também o saudável escrutínio público sobre a atuação da Administração Pública e da própria Justiça criminal”. “A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras”, escreveu. Ainda conforme o magistrado, o sigilo também não se justifica em razão de a “prova ser resultante de interceptação telefônica”. “Sigilo absoluto sobre esta deve ser mantido em relação a diálogos de conteúdo pessoal inadvertidamente interceptados, preservando-se a intimidade, mas jamais, à luz do art. 5º, LX, e art. 93, IX, da Constituição Federal, sobre diálogos relevantes para investigação de supostos crimes contra a Administração Pública”, argumentou.

Envio ao STF

Ao fim do despacho, Moro informa que, diante da notícia de que Lula aceitou convite para ocupar o cargo de ministro chefe da Casa Civil, as investigações serão enviadas ao Supremo Tribunal Federal. O material deve ser enviado após a posse, que está marcada para terça-feira (22).

Sérgio

Tango Bravo Alpha - É Hoje!


Pessoal, é hoje e eu vou. Quem gosta não pode faltar. Seis da tarde na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi de São Paulo.

Sérgio

quinta-feira, março 03, 2016

Howard Scott Warshaw


Para terminar o dia, leiam uma entrevista muito interessante envolvendo tecnologia e sucesso profissional. Vejam como é delicado o equilíbrio entre ser bem sucedido e fracassar e como tudo pode desmoronar se você não delineia seus limites. Veio do UOL:

O jogo eletrônico inspirado no filme E.T (1982), de Steven Spielberg, é considerado o pior de todos os tempos --foi citado até como responsável pelo colapso de sua fabricante, a Atari. Howard Scott Warshaw, o talentoso programador que criou o jogo, conta como o projeto foi realizado em poucas semanas --e hoje, vivendo na Califórnia, relata suas impressões sobre o epísódio. Spielberg não ficou impressionado com o jogo. "Não daria para fazer algo mais como Pac-Man?", ele perguntou. Era julho de 1982 e a Atari, uma das empresas de tecnologia mais bem-sucedidas à época, havia acabado de pagar US$ 21 milhões pelo direitos de adaptação para videogame do novo sucesso de Spielberg: E.T, o Extraterrestre.

Howard Scott Warshaw foi o programador que recebeu a tarefa de desenvolver o jogo. "Eu fiquei atordoado", diz Warshaw. "Era Steven Spielberg, um de meus ídolos, sugerindo que eu tinha detonado o jogo. Meu impulso foi dizer: 'Bem, Steven, você não poderia ter feito algo como O Dia em que a Terra Parou [clássico de ficção científica de 1951]?" O prestígio de Warshaw na Atari era alto. Aos 24 anos, ele havia acabado de finalizar o jogo baseado no filme Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (1981), de Spielberg. O diretor considerava Warshaw um "gênio".

Prazo apertado

O programador relembra o dia em que recebeu a missão. "Estava no escritório e recebi um telefonema do CEO da Atari. Ele disse: 'Howard, precisamos do jogo do E.T pronto. Você pode fazer?'" "Eu disse: 'Claro que posso!'" Jogos para Atari 2600 eram distribuídos em cartuchos que levavam semanas para ficar prontos. Para E.T chegar às prateleiras no Natal, o cronograma era apertado. O CEO afirmou que o jogo precisava estar pronto em 1º de setembro. "Isso me dava cinco semanas para fazê-lo! Normalmente seriam seis a oito meses para desenvolver um jogo, não cinco semanas", afirma Warshaw. "Então ele disse: 'Pense numa ideia para o jogo e vá até o aeroporto. Haverá um jatinho te esperando para encontrar Spielberg'." "Não sei cheio de quê eu estava, mas estava transbordando", conta o programador. Warshaw pegou um jatinho para apresentar a ideia do jogo a Steven Spielberg.

Ele preparou sua ideia e viajou da sede da Atari na Califórnia até Los Angeles. Sua proposta era uma aventura em que o jogador deveria ajudar o E.T a telefonar para casa, coletando partes de um aparelho interplanetário. O jogador teria que driblar agentes do governo e cientistas para completar sua missão. "Encontrei-me com Spielberg e mostrei todo o desenho do jogo. Disse a ele: 'Acho que é muito importante realizarmos algo inovador. E.T é um filme de impacto e precisamos de um game assim'." "Eu o convenci a desistir da ideia de algo baseado em Pac-Man. Mas a chave era desenvolver um jogo que pudesse entregar em cinco semanas."

Produção 24 horas

A Atari precisava que o jogo fosse um sucesso. As vendas da companhia haviam atingido um pico de US$ 2 bilhões em 1982, mas a empresa estava perdendo mercado para computadores pessoais como o Commodore 64, que tinha mais opções além de jogos. "Foi o trabalho mais difícil da minha vida", afirma Warshaw, que foi o único programador no projeto. "Comecei trabalhando no escritório, mas depois vi que havia um problema: ainda precisava ir para casa dormir e comer de vez em quando." "Então trouxemos uma estação de trabalho para minha casa, para que eu ficasse no máximo dois minutos fora da missão, a não ser quando estivesse dirigindo." Warshaw conta que havia um gerente responsável apenas por garantir que ele estivesse se alimentando. "Quando o processo acabou, eu pensei: 'Uau, eu consegui'."

Jogo era pouco intuitivo e logo desagradou usuários. A Atari produziu uma leva inicial de 4 milhões de cartuchos, e orçou US$ 5 milhões para aquela que seria a maior campanha publicitária da indústria de games até então. "O E.T precisa de ajuda de seu amigo humano - e esse é você!", dizia a propaganda. Anúncios na TV foram veiculados por semanas. O próprio Spielberg apareceu em um vídeo promocional, enquanto Warshaw foi enviado a Londres para a estreia do jogo, e ficou sentado em frente à princesa Diana. "Os chefes acreditavam que qualquer coisa com o nome E.T venderia milhões e milhões", ele conta.

Problemas

O jogo vendeu bem no início, mas logo começaram a circular comentários sobre algo de errado no game. "Era um jogo completo, mas certamente não era perfeito", diz Warshaw. "Havia muitas chances de você acabar em uma situação estranha. Isso era difícil e muitas pessoas abandonaram o jogo." Usuários reclamaram que o personagem do E.T inexplicavelmente caia em armadilhas e ficava preso. Um garoto de dez anos resumiu a história ao jornal "The New York Times": "Não era divertido."

A Atari logo percebeu que o E.T não iria decolar. No começo de dezembro de 1982, anunciou vendas "decepcionantes" no ano, e o valor de sua empresa irmã Warner Communications desabou. Os resultados afetaram outras desenvolvedoras de videogames. "Depois do Natal começamos a receber devoluções", conta Warshaw. "O jogo vendeu quase 1,5 milhão de unidades, mas ainda é pouco quando você precisa vender 4 milhões." No segundo trimestre de 1983, a Warner anunciou perdas de US$ 310 milhões. "As coisas apenas começaram a desandar", afirma Warshaw. "É incrível ser responsabilizado por ter derrubado sozinho uma indústria bilionária, com apenas 8 kb de código. A verdade é um pouco mais complexa."

A queda

Consumidores estavam optando por computadores e o mercado estava saturado por videogames. Numa tentativa de evitar o colapso, preços - e empregos - foram cortados. Mas o esforço foi em vão: a Warner vendeu a Atari em julho de 1984, por US$ 240 milhões. "Levei tempo para me recuperar", relembra Warshaw. "Fui trabalhar como corretor de imóveis por um tempo e odiei. Cheguei a voltar para a tecnologia, como gerente e diretor em games, mas o encanto havia se perdido."

Sentindo-se frustrado criativamente, Warshaw assumiu projetos de roteiros e produção de TV. "Sabia que não tinha mais a oferecer nessa indústria, mas também não via uma alternativa. Entrei em depressão", relata. A solução do programador foi "jogar a razão para o alto", e em 2008 ele se formou como psicólogo. "Talvez uma parte de mim quisesse compensação por todo o trauma e depressão que criei com o jogo E.T", diz. "Mas na verdade era algo que sempre quis fazer."

Hoje Warshaw se apresenta como o "terapeuta do Vale do Silício" e "fluente em inglês e língua nerd". E ele trabalha sua própria história de fracasso com os clientes? "Às vezes, sim", afirma. "Mas todo terapeuta usa suas experiências com os clientes. Para mim é bem natural. Programadores e terapeutas são todos analistas de sistemas. Eu só passei para um hardware bem mais complexo."

Desenterrando o passado

Em abril de 2014, Warshaw teve a própria chance de encarar o epísódio do fiasco de E.T. Uma produtora estava fazendo um documentário sobre uma lenda que durou 30 anos - a Atari teria enterrado caminhões de cartuchos encalhados de E.T em um deserto no Novo México, nos EUA. "Achava que era algo absurdo, nunca tinha acreditado naquilo", diz Warshaw. A cidade de Alamogordo autorizou uma escavação pública em um aterro da cidade, e o programador original foi convidado a acompanhar.

Uma enorme fila de fãs se formou para ver os trabalhos. "Foi estranho estar ali e literalmente ver seu passado sendo desencavado", afirma. Após horas de trabalho, a escavação confirmou que produtos da Atari de fato haviam sido enterrados no aterro. Warshaw foi filmado no momento em que um cartucho amassado do E.T foi retirado do solo, entre outros jogos. "Fiquei muito emocionado", ele conta. "Esse joguinho que escrevi em cinco semanas há mais de 30 anos ainda estava gerando excitação. Estava muito grato."

Para ele, provavelmente o jogo não seja o pior de todos os tempos. "Mas a história da decadência da indústria do videogame precisava de um rosto, e era o E.T." "Eu até prefiro quando pessoas apontam E.T como o pior do mundo, porque eu também fiz Yars Revenge, que é frequentemente citado como um dos melhores. Então, entre os dois, tenho a maior gama de qualquer desenvolvedor na história!"

Sérgio

quarta-feira, março 02, 2016

Tango Bravo Alpha


Pessoal, vem aí o lançamento de um livro muito especial, contando a história da Transbrasil, escrito pelo meu amigo Gianfranco Betting. A obra terá 288 páginas e mais de 600 de imagens, entre fotos, mapas, gráficos e ilustrações, a maioria delas inéditas. Serão mostradas todas as aeronaves operadas, em todas as suas coloridas pinturas, culminando um trabalho de décadas de arqueologia iconográfica. Uma saga de superações e desafios, agora resgatada, que não pode faltar na biblioteca de quem se interessa sobre aviação brasileira. Saibam mais AQUI. O lançamento do livro ocorre no dia 16 de março, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em São Paulo. O preço do livro é de R$ 150,00. Estarei lá!

Sérgio

terça-feira, março 01, 2016

Você acredita na Internet?



Absurdo: vejam esta história: Advogados criam perfil falso na Wikipédia e jurista fictício aparece em documentário e decisão. Veio do site Migalhas:

Jurista, educador, filósofo político, compositor e advogado brasileiro. Segundo a Wikipédia, as qualificações pertencem ao distinto Carlos Bandeirense Mirandópolis: homem com legado e história louváveis e... inexistente, conforme revela reportagem divulgada pelo G1 nesta terça-feira, 23. De acordo com matéria publicada pelo site, Mirandópolis foi "criado" em 2010 por dois advogados paulistas com o objetivo de pregar uma peça em um estagiário, que tinha o hábito de usar indiscriminadamente informações da internet para fazer pesquisas jurídicas. O que eles não esperavam, entretanto, é que o perfil falso na enciclopédia virtual fosse causar tamanho impacto, a ponto de Carlos Bandeirense Mirandópolis figurar em trabalhos acadêmicos, documentário e até decisão judicial.

Perfil falso

De maneira aprazível, o perfil do suposto jurista na Wikipédia – ilustrado com uma foto do político austríaco Michael Häupl – anuncia que Mirandópolis "marcou época não somente por seus profundos estudos sobre as associações civis como também por ter sido um incansável defensor da democracia". Na "trajetória" de vida de Carlos consta que foi catedrático da cadeira de Direito Civil na PUC/SP de 1959 a 1968, quando foi obrigado a abandonar o país pelos militares, no dia seguinte à edição do AI-5. No exílio, segundo a enciclopédia, foi para a França, onde foi convidado a dar aulas na Université de Paris. De acordo com a publicação, ainda exilado Mirandópolis teria sido convidado a ocupar a cadeira de Ruy Barbosa na Academia Brasileira de Letras, mas declinou o convite declarando: "Como posso ser imortal na terra em que já morri há muito?"

Entre as ardilosas histórias contadas no perfil falso, uma delas envolve o famoso cantor Chico Buarque de Hollanda. Pelo texto, Chico teria declarado que a música Samba de Orly, "foi a reconstrução de uma composição original de Mirandópolis". "Segundo ele, a composição de Mirandópolis era muito mais bela, porém este nunca permitiu que fosse gravada, pois não queria perpetuar na partitura a tristeza do exílio." Além de citar várias obras escritas pelo jurista fictício, o perfil falso anuncia que, durante seu último ano de vida, como esforço final, Mirandópolis teria participado do Comício das Diretas Já, em 1984.

Engodo

Os criadores do perfil, os advogados Victor Nóbrega Luccas (direita) e Daniel Tavela Luís (esquerda), contaram em entrevista ao G1 que tudo não passou e uma brincadeira. Após perceberem o hábito de alguns estagiários de usar informações da internet sem checagem, eles pediram que um dos jovens fizesse uma pesquisa sobre a teoria da Oferta Pública de Associação, "que não existe". "A coisa tomou uma proporção que a gente nunca imaginava. Eu esperava aparecer em alguns blogs, mas não em uma fonte mais séria. Eu gargalhei. Mas, se é engraçado por um lado, é triste por outro, porque as pessoas não estão usando a internet corretamente”, disse Victor ao portal.

Alcance


Com a disseminação da história de Mirandópolis, o personagem ganhou notoriedade da internet e passou a ser citado, com relação a seus supostos feitos, como se realmente existisse. Carlos Bandeirense chegou a figurar em alguns trabalhos acadêmicos e até no documentário produzido sobre as Diretas Já. No site da produção, ele é citado no trecho que elenca "lideranças e personalidades" que participaram do movimento. Carlos Bandeirense Mirandópolis ainda teria pregado uma peça no Judiciário. Em decisão datada de novembro de 2014, o Órgão Especial do TJ/RJ declarou a constitucionalidade da lei estadual 6.528/13, que determina, dentre outros, a proibição do uso de máscaras ou de qualquer forma de ocultar o rosto para impedir a identificação em manifestações. Em seu voto, a relatora do processo, desembargadora Nilza Bitar argumentou que "as maiores manifestações deste país foram feitas por brasileiros sem máscaras, fossem elas de direita ou de esquerda". Entre os apontados está o Comícios das Diretas Já, no qual consta como participante o famigerado jurista.

Sérgio