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sábado, junho 25, 2016

Ainda o Brexit!


Belo texto do Rodrigo Constantino sobre o resultado do Brexit... Vejam mais AQUI:

Como seria a reação da grande imprensa e da elite intelectual e financeira se o resultado do plebiscito no Reino Unido tivesse sido diferente, ainda que por menos de 1%? Sabemos a resposta: todos estariam enaltecendo a “voz das ruas”, a “decisão popular”, a “democracia”. Estariam elogiando a “sabedoria” do povo. E estariam celebrando mais um passo relevante em direção ao governo mundial. Mas o resultado foi outro. Deu Brexit.

E aí o que acontece? Automaticamente o povo passa a ser ignorante, o Reino Unido está dividido, os pobres e sem educação votaram pelo medo, pelas emoções, a classe média é obtusa, xenófoba, preconceituosa. Talvez até seja necessário um novo plebiscito, para ver se esse povo idiota acerta dessa vez. A democracia plebiscitária só é boa quando o resultado agrada a esquerda, eis o recado.

Em qualquer tema complexo como este, há sempre argumentos legítimos de ambos os lados. Venho tentando apresentar aqueles do lado do Brexit, que, após muita reflexão, seria minha escolha caso fosse britânico. Não se trata de decisão trivial. Não devemos adotar visão simplista, como faz o lado de lá: votar pela saída é defender a liberdade e permanecer na União Europeia é escolher a escravidão. Não é bem assim.

Em primeiro lugar, podemos conceder isso aos “progressistas”: de fato, muita gente ignorante, xenófoba e preconceituosa votou pela saída com base no medo. É um fato. Nigel Farage, líder do Ukip, que encabeçou a campanha pela retirada, tem viés demagogo, como tem Donald Trump nos Estados Unidos. Mas daí a ignorar que vários apoiaram a saída ou apoiam tais líderes com base em sólidos argumentos vai uma longa distância.

A esquerda prefere ignorar essa complexa realidade. É mais confortante repetir que todos são uns idiotas, que uma cambada de ignorantes escolheu, por medo, o caminho populista. Mais confortante, mas uma visão equivocada e um tanto arrogante. Há muita vida inteligente do outro lado, apoiando a saída por motivos bastante convincentes. Ignorar essa gente toda, fingir que não existe, é apenas uma tática dos “progressistas” para continuar se sentindo os únicos racionais em campo.

Então Margaret Thatcher, a maior estadista que o Reino Unido já teve, que literalmente salvou a Grã Bretanha do socialismo, era apenas uma idiota? Pois ela era uma das vozes mais estridentes, em seu tempo, contra a união forçada com o restante da Europa e a consequente perda de soberania de seu país. 

Eis o que penso disso: a elite intelectual e financeira, os jornalistas da grande imprensa, todos eles vivem numa espécie de bolha, cada vez mais afastados da realidade do “povão”, que eles juram defender. Se para um jornalista que vive em Nova York o imigrante muçulmano é uma abstração, uma espécie de mascote que ele defende em jantares inteligentes, para o sujeito pobre ele é o vizinho do gueto, cada vez mais dominado por uma cultura estranha, diferente, autoritária.

Enquanto o banqueiro comenta sobre livre imigração dos mexicanos na conversa do iate, o trabalhador humilde vê um imigrante ilegal tentando roubar seu emprego, e depois enfrenta o aumento da criminalidade nos bairros pobres por conta das leis “progressistas” que protegem tais imigrantes, como as “sanctuary cities” americanas. Para essa turma do andar de baixo, tais questões não são filosóficas ou abstratas, mas reais e concretas.

Se o estado concentra cada vez mais poder e recursos e controla mais e mais a economia, isso pode representar um fardo extra para o profissional liberal rico, talvez até algumas oportunidades para o advogado, mas para o trabalhador simples pode ser mortal: uma escola pública terrível, um hospital público que não funciona, um transporte público decadente.

Enfim, a tese de Charles Murray em Coming Apart se aplica bem aqui: há um gradual afastamento entre a elite na bolha e o povo. Ler os livros do psiquiatra britânico Theodore Dalrymple sobre o assunto também ajuda a elucidar muitas questões: é o povo que paga o preço das bandeiras imorais da esquerda caviar. E esse povo está indignado, revoltado, não se sente representado, e agora tem mais voz. A elite “progressista” ainda não entendeu isso!

Não são idiotas aqueles que compreendem tais riscos, que enxergam no “governo mundial” um obstáculo à liberdade, que cansaram da concentração de poder em burocratas “ungidos”. Não são xenófobos aqueles que não consideram desejável a perda completa de sua identidade nacional. Não agem apenas por medo aqueles que veem na União Europeia não um bloco de livre comércio, mas um aparato cada vez mais regulador do mercado. Não são ignorantes os que pretendem resgatar a soberania nacional perdida.

Ao ignorar tudo isso para repetir que o povo que votou pela saída é idiota, a esquerda “progressista” demonstra apenas sua própria ignorância, fomentada pela extrema arrogância dos que se consideram os únicos seres racionais do planeta. E como isso é irracional…

Sérgio

terça-feira, junho 07, 2016

Moro versus STF


Belo artigo do Josias de Souza no UOL sobre a Lava Jato e a postura, inerte, do STF:

O cronista Nelson Rodrigues costumava dizer que o mais exasperado problema do ser humano é o medo do rapa. “Cada um de nós vive esperando que o rapa o lace, o recolha, na primeira esquina”, ele escreveu. No Brasil de hoje, Sérgio Moro virou uma espécie de rapa da oligarquia política e empresarial. Nesse meio, o juiz da Lava Jato instila pânico.

Graças à morofobia, personagens como Eduardo Cunha e Lula revelam-se capazes de tudo para que seus processos permaneçam no STF, o foro dos suspeitos privilegiados. Receiam ser presos. No intervalo de dois anos, dois meses e 19 dias, tempo de duração da Lava Jato, Sérgio Moro já proferiu 105 condenações. Juntas, somam 1.140 anos, 9 meses e 11 dias de prisão. No STF, não há vestígio de condenação. (veja no quadro acima os feitos que a força-tarefa da Lava Jato obteve em Curitiba).

Entre agosto e setembro de 2014, os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff jogaram no ventilador os nomes de 28 congressistas —sete senadores e 11 deputados federais. Esse pedaço da investigação subiu para o Supremo. Desde então, avolumaram-se as delações e os suspeitos com direito a foro privilegiado.

Hoje, correm no STF 70 processos relacionados à Lava Jato. Desse total, 59 estão na fase de inquérito. Neles, são investigados 134 acusados. Outros 11 processos foram convertidos pelo procurador-geral Rodrigo Janot em denúncias formais, envolvendo 38 políticos. Por ora, o único denunciado que o Supremo converteu em réu foi Eduardo Cunha. E não há prazo para o julgamento da ação penal protagonizada pelo deputado. 

A pedido da Procuradoria, o STF afastou Cunha do exercício do mandato e da poltrona de presidente da Câmara. Mas ele mantém as prerrogativas de deputado, que impedem Moro de alcançá-lo. Conserva também o acesso às mordomias propiciadas pela presidência da Câmara e o controle sobre sua milícia parlamentar, que lança mão de manobras para retardar o julgamento do pedido de cassação do seu mandato, na pauta do Conselho de Ética da Câmara há sete meses.

O que há de mais alvissareiro na Lava Jato é a percepção de que o banquete da corrupção desandou. Os órgãos repressores do Estado investigam, prendem e condenam pessoas que estavam acostumados a viver num país em que, acima de um certo nível de renda e poder, ninguém era importunado.

Deve-se sobretudo à aplicação de Sérgio Moro, dos agentes federais, procuradores e técnicos que integram a força-tarefa de Curitiba a derrubada do escudo invisível que protegia os maus costumes. Montou-se uma espécie de usina trituradora de delinquentes. Foram em cana brasileiros que se julgavam invulneráveis. Em troca de favores judiciais, muitos tornaram-se delatores.

Empreteiros que se habituaram a sufocar investigações em tribunais superiores fizeram pouco da Lava Jato. Presos, recorreram. Uma, duas, três, quatro vezes. E nada. Amargaram condenações draconianas. Marcelo Odebrecht, por exemplo, foi condenado por Moro a mais de 19 anos de cadeia. Com receio de mofar no xadrez como versões petroleiras de Marcos Valério, os mandarins das construtoras também se tornaram colaboradores da Justiça.

Os maiores ficaram para o final. Retardatários, executivos de empresas como Odebrecht e OAS terão de levar à mesa segredos cabeludos se quiserem obter vantagens como redução da pena. Eles já expõem na bandeja escalpos como o de Dilma, Lula, Renan, Sarney, Cunha, Jucá, Aécio e um inesgotável etcétera.

Cercados pela investigação de Curitiba, operadores como Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, entregam os podres dos padrinhos de Brasília. O serviço da Procuradoria-Geral da República e do STF aumenta. A responsabilidade também. Soltos, políticos que são parte do problema fazem pose de solução. Pior: continuam operando.

Relator da Lava Jato no STF, o ministro Teori Zavascki tem sobre a mesa um lote de pedidos de providência formulados pela Procuradoria. Talvez devesse priorizá-los. A bandidagem parlamentar precisa de um rapa que a lace, que a recolha, na primeira esquina.

Sérgio

domingo, maio 01, 2016

WhatsApp - Parte 1


Bloquear o WhatsApp é ridículo... Vejam a opinião do meu amigo e especialista em Direito Eletrônico, Renato Opice Blum. A insegurança jurídica no Brasil é imensa: ainda que se concorde (em tese - não é minha opinião) que haveria obrigação da plataforma em ter uma informação que pela natureza é de difícil obtenção, tirar o serviço do ar e punir os usuários não é razoável. O show de horrores Brasileiro continua forte. É surreal!

Sérgio

sábado, outubro 24, 2015

Triste Brasil...


Excelente artigo do Arnaldo Jabor... Pena que o ignorante povo brasileiro não enxerga isso! Veio do Globo: 

Um grupo de intelectuais e artistas se reuniu em São Paulo para fazer um manifesto contra a possibilidade de impeachment para a Dilma. Está no direito deles, claro. Ninguém sabe se o impeachment será bom o ruim para o país. Talvez eles tenham razão. Quem sabe? Mas, por trás da luta contra o impeachment existe uma negação clara da grande crise politica que vivemos. As instituições são acusadas de serem usadas pela “direita” como disse um deles: o TCU é um bando de políticos fracassados. Um outro escreveu há dias que as marchas populares de junho e deste ano foram uma manifestação de “gente de direita”. Segundo ele, um milhão de “direitistas” querem destruir o sagrado ninho da história que é o PT. Outro autografou um livro de presente para o Maduro. Que interstícios percorrem as ideias dentro de suas mentes, para negar tudo que está acontecendo hoje? Não conseguem fazer uma reles autocrítica de suas crenças. Mudar de ideia é considerado traição. É uma visão paranoica de que o país está tomado por “fascistas” que querem tirar o PT do poder. Eu por exemplo não sou fascista (dirão meu inimigos: reacionário neoliberal), mas quero ver o lulopetismo fora do poder. Eles estão desmanchando tudo que era sólido em nome de uma fé paralítica. Se negam a ver que a corrupção virou um sistema politico. Não só roubaram bilhões em conluio com aliados ladrões, como também roubaram nossos mais generosos sentimentos. A crise destrói o país e muda nossas mentes e corações. Cada um leva consigo uma forma de melancolia. É a grande neurose nacional do “que fazer?”

Os petistas têm uma visão de mundo deturpada por conceitos compartimentados e acusatórios: luta de classes, culpados e inocentes, traidores e traídos. Stálin (“A humanidade está dividida em ricos e pobres, proprietários e explorados. Subestimar esta divisão significa abstrair-se dos fatos fundamentais”) ou Lênin (“Qualquer cozinheiro devia ser capaz de governar um país”). Só veem vitimas e carrascos. Preocupam-se mais com as ossadas do Araguaia do que com o futuro de nossa anomalia atual. O filósofo João Pereira Coutinho disse outro dia na Folha uma frase ótima: “Oprimido e opressor não esgotam as relações humanas possíveis, mesmo as desiguais. A luta de classes é uma escolha política não um dado natural” — na mosca.

Não arredaram os pés dos velhos dogmas da era stalinista, como aliás os antigos comunas fizeram desde quando se recusaram a votar nos social-democratas alemães, fazendo o Hitler subir ao poder. Já em 1924, chegou a afirmar: “O fascismo e a social-democracia não são inimigos, mas irmãos gêmeos”. A verdade é que os petistas nunca acreditaram na “democracia burguesa”. Eu me lembro de mim mesmo no tempo da UNE, quando usávamos a palavra “democracia” apenas como estratégia para avançar na “linha justa”. “Vamos fingir que acreditamos na democracia para depois extirpá-la”. Assim pensávamos e eles pensam assim até hoje; como disse uma filósofa que “hoje não vamos perder a luta, pois antes da ditadura éramos inexperientes mas hoje não somos mais”. E um janguismo mesclado com toques de bolivarianismo.

Até agora governaram um país capitalista com regras e métodos anticapitalistas — dá no desastre econômico a que assistimos. Pedem a volta da nova matriz econômica que quebrou o país. Como é que pode? Alguns intelectuais ficam “angustiadinhos”: “Ah... eu tinha um sonho... que se esfumou...” — choram os militantes imaginários, e nada fazem. A covardia intelectual é grande. Há o medo de ser chamado de reacionário ou careta. Continuam ativos os três tipos exemplares de “radicais”: os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os burros e os loucos. Uns bebem e falam em revolução; outros zurram e os terceiros alucinam.

Acham que a complexidade é um complô contra eles, acham a circularidade inevitável da vida uma armação do neoliberalismo internacional. Para eles, “administrar” é visto como ato menor, até meio reacionário, pois administrar é manter, preservar — coisa de capitalistas. Estamos diante de um momento histórico gravíssimo, com os dois tumores gêmeos de nossa doença: a direita do atraso e a esquerda do atraso. Como escreveu Bobbio, se há uma coisa que une esquerda e direita é o ódio à democracia.

Esta crise é tão sintomática, tão exemplar para a mudança do país, que não podia ser desperdiçada pelos pensadores livres. É uma tomografia que mostra as glândulas, as secreções do corpo brasileiro — um diagnóstico completo. Este espasmo de verdade, esta explosão de nossas vísceras, talvez seja perdida, porque as manobras do atraso de direita e do atraso de esquerda trabalham unidos para que a mentira vença. E intelectuais sérios, artistas famosos e celebridades não entendem isso, não abrem a boca. Não veem a reestatização da economia, o inchamento maior ainda da maquina pública, a destruição das agências reguladoras, da Lei de Responsabilidade Fiscal, em busca de um getulismo tardio, uma visão do Estado como centro de tudo. Quem quiser alguma positividade é “traidor”. No Brasil, a palavra “esquerda” continua o ópio dos intelectuais.

E por cima deles, nos colóquios, nos seminários, nas universidades flutuam os discursos de analise política límpidos, a sociologia infalível, a orgulhosa ostentação da verdade. “Nós sabemos a verdade: está tudo claro em nossas teses de doutorado. O problema é que o Brasil não se curva às nossas teses...”. Não admitem que um “choque de capitalismo” seria a única bomba a arrebentar a casamata paralítica do Estado inchado, gastador e ineficiente e que isso seria muito mais progressista que velhas ideias finalistas, esse “platonismo” de galinheiro. Quem tem coragem?

O Brasil evolui pelo que perde e não pelo que ganha. Sempre houve no país foi uma desmontagem continua de ilusões históricas. Com a história em marcha à ré, estranhamente, andamos para a frente. Como?

O Brasil se descobre por subtração, não por soma. Chegaremos a uma vida social mais civilizada quando as ilusões chegarem ao ponto zero.

Sérgio

quinta-feira, outubro 08, 2015

O Modelo Errado


Maravilhoso artigo da Miriam Leitão em 30.09.2015 publicado no Globo:

O Brasil vive uma crise profunda, desnecessária e evitável. Não deveria estar agora em pleno retrocesso, vivendo com medo da inflação de dois dígitos, da disparada do dólar, do desemprego que chegou em agosto a 8,6% e corre o risco de continuar subindo. O pântano em que estamos foi provocado por barbeiragem do governo. Não é um modelo que se esgotou, é uma proposta errada que cobra seu preço.

O governo atacou o edifício que o Brasil construiu por anos de ajustes e reordenações monetárias e fiscais. O país perdeu parte do terreno conquistado e desperdiçou o excelente — e finito — momento de alta das commodities. Tudo jogava a favor do PT quando ele assumiu: a herança recebida da estabilização da moeda e o salto nos preços dos produtos que o Brasil exporta. O governo perdeu esse patrimônio por incompetência.

A presidente Dilma diz hoje que o modelo instalado após a crise internacional de 2008, para evitar que o Brasil fosse atingido, esgotou-se. Isso não corresponde aos fatos. Em 2005, ela fulminou a proposta de permanecer ajustando os gastos públicos para chegar ao déficit nominal zero. Disse à equipe que fez a proposta que era preciso “combinar com os russos” e que aquela ideia era “rudimentar”.

Portanto, a opção pelo gasto descontrolado, sem buscar a âncora fiscal, foi tomada por Dilma Rousseff no governo de Lula da Silva, quando ela se instalou na Casa Civil. Esse modelo Dilma-Lula faz 10 anos. Foi ele que quebrou o Brasil, fez o país perder o grau de investimento e provoca hoje uma disparada do dólar.

O que aconteceu no Brasil nos últimos 13 anos tem que ser entendido em duas fases. Na primeira, o PT se cercou de bons economistas e seguiu a lógica da política econômica que recebeu. Não o fez por crença, mas por medo do descontrole que se prenunciava nos tremores com que o mercado recebia a notícia da vitória de um candidato que dizia que mudaria tudo quando assumisse. Ele não mudou inicialmente, e o Brasil avançou.

A partir de 2005, o governo começou a mudar paulatinamente a política econômica. Mesmo assim, os efeitos positivos de 10 anos de ajuste nas contas públicas e austeridade monetária levaram o país a atingir o grau de investimento. O governo petista foi ajudado enormemente pela China, com a forte demanda por commodities. Nesse boom, o Banco Central fez a opção certa de acumular reservas. Apesar do custo de carregamento dessas reservas, foi importante tê-las em vários momentos, como agora.

Mas, naquele momento de prosperidade, em que o Brasil estava atraindo investimento, era hora de dar um salto. O “modelo”, como Dilma define agora, foi o de aumentar os gastos, elevar a dívida, criar barreiras ilegais ao comércio externo, transferir R$ 500 bilhões para que o BNDES pudesse presentear os empresários com dinheiro público. A cartilha é esta mesmo. O PT acredita nisso, tanto que agora economistas do partido defendem a volta do que vigorou até a última eleição. Mesmo depois de quebrarem o país, não se dão conta do que fizeram. Culpam o magro e hesitante ajuste fiscal, que está sendo tentado pelos problemas que o Brasil vive; confundem o antibiótico com a infecção que sua política provocou.

O ambiente está tenso no Brasil. As empresas e as famílias temem os desdobramentos da conjuntura. A cada dia surgem novos dados ruins, como o déficit primário de agosto e o desemprego, que saíram ontem. A presidente está focada em como se manter no cargo, da mesma forma que na campanha sua preocupação era ganhar e não em como governar.

Dilma continua criando ficções para explicar seu péssimo desempenho. Diz que teve que fazer correções de preço, e não admite que foi ela, para seu proveito eleitoral, que manteve, com medidas artificiais, a tarifa de energia. Logo depois de fechadas as urnas, o país passou a viver um tarifaço. Diz que o modelo adotado para fugir da crise externa se esgotou e por isso está fazendo um ajuste para depois crescer. O país sabe que não foi isso. Ela adotou a política na qual ela e seu partido acreditam, quebrou o país, mas escondeu o resultado com truques eleitoreiros. A presidente não sabe ainda como corrigir o estrago que suas decisões provocaram. Quis tanto o poder e a reeleição e não tem rumo a dar ao seu governo. O Brasil não merecia estar passando por esta crise.

Sérgio

domingo, outubro 04, 2015

Hélio Bicudo


Vale a pena tirar uns minutos do seu Domingo e assistir a este vídeo do Hélio Bicudo, a entrevista que ele deu dia 28.09.2015 no Roda Viva. Para nossa tristeza, pois vivemos isso e não parece haver saída, ele descreve com detalhes a barbárie social, financeira, educacional, policial e política do nosso País. 

Sérgio

sexta-feira, julho 17, 2015

MH17 - Um ano!


Hoje faz um ano da queda do voo MH17 da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia, que acabou com a vida de 298 pessoas, entre elas 38 australianos. Não foi um acidente... Foi um ato deliberado que muito preocupa e que resta impune. Evidências levantadas pelos Estados Unidos apontam que o avião tenha sido abatido por um sistema de míssil terra-ar na região, que é controlada por separatistas pró-Rússia que estão em confronto com o governo de Kiev.

Outro que resta sem resposta é o MH370, já há muito tempo. 

São dois casos que marcam pela incerteza que deixam nos que viajam e nos que tem amigos e parentes no ar todos os dias. Pensar que podemos nos transformar em estatísticas a qualquer momento e que o mundo não estará nem aí para isso é algo triste e desanimador. 

Que haja paz para os corações dos que choram os mortos de ambos casos com a Malaysia Airlines. Espero que casos como estes não se repitam e que um dia possamos responsabilizar quem derrubou o MH17 e, quem sabe, conhecer o destino e punir os responsáveis pelo MH370 que, certamente, não foi um acidente, mas outro crime contra passageiros indefesos de um voo internacional!  

Sérgio

quinta-feira, junho 04, 2015

Boticário x Demagogia


O Brasil que se permite conviver com uma violência estratosférica, uma corrupção endêmica, um sistema político falido, aproveitadores de toda sorte, falta de educação e cidadania generalizadas e se escandaliza com uma propaganda destas não é para ser tolerado. Devolve para Portugal ou para os índios e começa de novo. Gente tosca!

Obviamente sou contra a glamurização da homossexualidade, que muitos pregam. Igualdade de tratamento, aceitação, respeito é fundamental. O termo "opção sexual" é algo de cada um, até por estar acima da capacidade da pessoa de controlar este tipo de impulso. Respeitar é diferente de encorajar ou estimular. Esta propaganda não faz apologia do homossexualismo e nem é de mal gosto. Qual a razão de se recorrer ao Conar para este comercial? Vejam o caso AQUI.

Este puritanismo seletivo, essa moral aleatória é ridícula e mostra a nossa cara, como diria Cazuza. E ela está cada dia mais feia. Não tem maquiagem que esconda que a sociedade brasileira está doente... Resta saber até onde ela resistirá como sociedade e como se recuperará, se é que isso vai acontecer um dia. 

Sérgio

segunda-feira, maio 04, 2015

Vestibular para Creche?


A China é mesmo diferente: crianças fazem ‘vestibular’ para entrar em creches em Hong Kong. Disputa acirrada por vagas aumenta ansiedade de pais sobre educação dos filhos desde a idade pré-escolar; especialistas alertam para excesso de pressão. Eu, pessoalmente, não concordo com isso. E você? Veio do G1:

Entrar em boas escolas ou universidades é difícil em muitas partes do mundo, mas em Hong Kong a pressão começa ainda mais cedo. Para que os pais consigam matricular seus filhos em bons jardins de infância – e até em boas creches, as crianças já têm aulas de preparação para os "vestibulares" infantis. Yoyo Chan está se preparando para uma entrevista importante que pode ajudá-la a ser bem sucedida na vida. Ela tem um ano e meio de idade. Ao completar dois anos, ela entrará em uma creche, mas a competição é feroz em Hong Kong, e alguns dos locais de maior prestígio são extremamente seletivos. Seus pais querem que ela esteja bem preparada para seu primeiro teste na vida. As melhores creches e jardins de infância são consideradas pelos pais como portas de entrada para as melhores escolas primárias – que, por sua vez, facilitariam o caminho para as melhores escolas secundárias e universidades. Por causa disso, as mais procuradas chegam a receber mais de mil pedidos de inscrição para poucas dezenas de vagas. Agora, empresas oferecem treinamento de entrevista para crianças, com o objetivo de dar a elas uma vantagem a mais.

Preparação

Em uma de suas aulas, Yoyo é instruída a cumprimentar o professor e se apresentar para ele. O professor, em seguida, pede que ela faça uma série de tarefas como construir uma casinha de tijolos, fazer um desenho, prender dois olhos de feltro no lugar correto de um rosto e identificar pedaços de frutas. A menina começa um pouco tímida, mas logo se solta e parece divertir-se realizando as tarefas e brincando. "Estas aulas e entrevistas podem ser difíceis", diz sua mãe, Emma. "Mas eu quero que ela esteja preparada. A maioria dos pais quer que seus filhos tenham um bom começo." Uma das creches nas quais Emma está interessada entrevistou mais de 100 candidatos para apenas nove vagas, então ela fará o que foi preciso para aumentar as chances de sucesso de sua filha.

O irmão mais novo de Yoyo, que ainda é um bebê, vai começar a ter aulas em breve, quando tiver oito meses de idade. Em uma das empresas, a Hong Kong Young Talents Association (HKYTA), uma série de 12 sessões de treinamento custa 4.480 dólares de Hong Kong (R$ 1.718) – cerca de um quarto da renda mensal mediana de uma família. "Tentamos ensinar as crianças através de atividades musicais, adaptando as atividades ao que as entrevistas irão pedir", diz a professora da HKYTA, Teresa Fahy.

Perguntas complexas

Para tornar as coisas um pouco mais complicadas – e mais estressantes para os pais – creches e jardins de infância diferentes pedem coisas diferentes. É comum que os entrevistadores observem a maneira como crianças lidam com os brinquedos. Isso pode revelar algo sobre suas habilidades motoras e sobre como eles interagem com outras crianças. A maneira como eles participam de atividades em grupo como cantar ou dançar conforme a música também é cuidadosamente examinado. Além disso, os entrevistadores conversam com as crianças para saber quão bem eles se expressam e se fazem contato visual. Alguns, mas não todos, também pedem que as crianças identifiquem cores e formas ou expliquem algumas cenas em livros. "As perguntas estão ficando cada vez mais difíceis. Os jardins de infância podem fazer perguntas complexas como 'para que servem seus olhos?' ou 'que tipo de ovo é este?'." "Eles também podem avaliar o comportamento da criança ao oferecer doces a ela no fim da entrevista. A criança tem que pegar um e dizer 'obrigada'. Pegar muitos doces é visto como ganancioso e rejeitá-los é visto como grosseiro."

Confiança e espontaneidade

Muitos pais concentram-se em ensinar os filhos a nomear cores e objetos, mas nem todos os entrevistadores se impressionam com essa habilidade. "Não estou buscando esse tipo de conhecimento, são coisas que nós vamos ensiná-los quando começarem a estudar conosco", diz Jenny (nome trocado a pedido da entrevistada), professora de um conhecido jardim de infância bilíngue.
Ela diz ainda que, mesmo que os pais não percebam, muitas vezes eles são observados ainda mais atentamente pelos professores do que as crianças. "É preciso saber com que tipo de pais estamos lidando. Se os pais forem muito controladores, o meu 'não' é automático", afirma. E se os pais trouxerem um portifólio listando os cursos que seus filhos fizeram e os lugares onde passaram as férias – como alguns fazem – ela sequer olha.

Outra professora de escola primária afirma que as aulas de entrevista podem ajudar as crianças a ficarem menos nervosas no grande dia. Mas Leung Wai-fan, diretora do jardim de infância King Shing, diz que pode ficar óbvio que a criança foi treinada. "Conseguimos dizer se uma criança está sendo natural ou não. É fácil ensinar uma criança o que dizer, mas elas não necessariamente entenderão o que estão dizendo." "A criança pode aprender a recitar determinada frase – mas se você fizer uma pergunta, ela fica tímida." Crianças confiantes, que respondem as perguntas colocadas a elas, geralmente têm avaliações melhores. Ser tímido é uma desvantagem, mesmo com um ano e meio de idade.

Perda de interesse

Leung sabe muito bem até onde os pais irão na esperança de conseguir uma vaga em um jardim de infância. Sua escola chamou a atenção da mídia no ano passado depois que alguns pais esperaram na fila por duas noites para garantir que seriam os primeiros a entregar o formulário de inscrição. Ela teme que a educação primária tenha se tornado muito comercial e muito exigente – e acompanha com preocupação quando os pais matriculam crianças em idade pré-escolar em aulas de inglês ou de mandarim, pressionando-os para que tirem boas notas. "Não é assim que crianças aprendem. Tentamos dizer aos pais que a educação deveria ser para toda a vida, e não apenas funcional."

Lam Ho Cheong, professor e especialista em educação na primeira infância do Hong Kong Institute of Education, concorda. "Por um lado, é preciso desenvolver suas habilidades. Por outro, você quer que elas se interessem por aprender", diz. "Se você pressionar muito as crianças quando elas são jovens, corre o risco de fazer com que elas percam o interesse. Por exemplo, as habilidades de leitura das crianças de Hong Kong são altas em comparação com outros países, mas o interesse pela leitura é baixo." Alguns professores afirmam ainda que, ao invés de matricular seus filhos em cursos, os pais deveriam simplesmente passar mais tempo com eles. "Eu não recomendaria que pais sobrecarregassem seus filhos com treinamentos, porque a maneira como uma criança se sente no dia da entrevista pode passar por cima de toda a preparação que ela teve. É melhor que os pais passem mais tempo brincando e lendo para seus filhos em casa", diz Jenny. Este ano, no entanto, entrar em uma creche será especialmente difícil em Hong Kong. Mais crianças do que o normal nasceram entre 2012 e 2013 porque era o ano do dragão no calendário chinês, considerado auspicioso. Para as crianças do dragão, é chegada a hora de enfrentar o primeiro desafio.

Sérgio

quarta-feira, abril 22, 2015

Frase da Semana!


Frase da semana: Seja gay, mas não se vista como um”, disse Giorgio Armani. Óbvio que estão dizendo que ele está errado, mas adorei... É possível ser homossexual sem precisar afrontar ninguém, ou precisa? Veio da Exame:

O estilista mundialmente famoso Giorgio Armani gerou polêmica ao dizer que gays não devem se vestir como tal, em entrevista à revista “The Sunday Times”, publicada neste domingo. “Um homem homossexual é 100% homem. Ele não tem necessidade de se vestir como homossexual”, disse. Ele ainda afirmou que “um homem tem que ser um homem”, ao se referir àqueles que exibem ao extremo sua homossexualidade. Armani, no entanto, não explicou o que seria a forma ideal de se vestir, para parecer “homem”. Usuários o Twitter se incomodaram com a declaração, que serve de munição para discursos preconceituosos e homofóbicos. Um usuário afirmou, em resposta, “Giorgio Armani, sente-se e deixe as pessoas serem o que elas querem ser, sua vaca velha. ‘Um homem tem que ser um homem’. Controle-se, idiota”.

Mais críticas

A língua do estilista estava afiada também para falar de mulheres que fazem cirurgia plástica. Para ele, cirurgias com objetivo estético são uma estupidez. “Eu prefiro olhar para uma mulher natural. Uma mulher deveria ser corajosa para se tornar mais velha, não desesperada para parecer mais nova do que sua idade”, afirmou. Em nome da “naturalidade”, Armani também criticou homens com corpos muito musculosos. “Eu gosto de alguém saudável, alguém sólido, que cuida de seu corpo, mas não usa seus músculos demais”, afirmou.

Sérgio

sábado, abril 11, 2015

Viva Ed Motta!


Vejam só... Para esse pessoal que quer ser literal, achei sensacionais as respostas do Ed Motta, especialmente na parte da "soda cáustica sonora". Brasileiro se acha a quinta maravilha do mundo e não aceita crítica, nem de compatriota. O Ed Motta foi literal, visceral, mas não inventou nada.

Para um que disse que com isso vai ser massacrado e esquecido, a resposta foi ótima: não é isso que já acontece com quem faz música honesta no Brasil?

Parabéns pela coragem! 

Na minha opinião, falou o que muitos não tem coragem de dizer, mas que um dia precisa ser dito: o Brasil é cada dia mais ignorante, boçal, enquanto nação. A cada dia mais nos perdemos em preconceitos e falta de senso de ridículo e noção, em todos os campos, desde a política, à polícia, da escola à música, das arcadas às casas!

Quem sabe, um dia, isso muda. O Brasil é lindo e merecia mais!

Matéria do G1:

Ed Motta avisou a brasileiros que queiram ir aos shows de sua turnê na Europa que não fala ou canta músicas em português nas apresentações. Ele deu o recado em post publicado nesta quinta-feira (9) em sua página oficial no Facebook, em que divulga sua agenda no continente para divulgar músicas do álbum "AOR". O texto causou polêmica e rendeu centenas de comentários na página, vários deles respondidos por Ed Motta. Veja abaixo o post completo e algumas das respostas que o músico deu aos internautas. “Eu agradeço e fico honrado em ser prestigiado pela comunidade brasileira, mas é importante frisar, não tem músicas em português no repertório, eu não falo em português no show”, escreveu Motta. Apesar de a explicação ter sido escrita em português e direcionada a brasileiros, a agenda está em inglês.

O cantor argumentou que “o inglês é a língua universal”. “Então, pelo amor de Deus, não venha com um grupo de brasuca berrando ‘Manuel’, porque não tem”, continuou, acrescentando que não adianta pedir, pois ele não falará outra língua em seu show a não ser o inglês. “Não é possível que o imigrante brasileiro não saiba um básico de inglês.” Ed Motta aposta na internacionalização, tanto que seu site conta ainda com versões para espanhol, francês e holandês. “A divulgação da gravadora, dos promotores é maciça no mundo Europeu, e não na comunidade brasileira.”

Público 'culto'

Ele afirmou ainda que seu público “é um pessoal mais culto, informado”. “Essas pessoas nunca gritaram nada, o negócio é que vai uma turma mais simplória que nunca me acompanhou no Brasil”, escreveu no post. Nas palavras do músico, a “turma simplória” é composta por um “público de sertanejo, axé, pagode, que vem beber cerveja barata com camiseta apertada tipo jogador de futebol, com aquele relógio branco, e começa gritar nome de time”. A essa pessoas Motta avisa: “Não gaste seu dinheiro, e nem a paciência alheia atrapalhando um trabalho que é realizado com seriedade cirúrgica, esse não é um show para matar a saudade do Brasil. [...] “Esse é um show internacional”, afirma.

'Terra ignorante'

Entre as respostas a comentários na página, Ed Motta chamou um crítico de "moço caipira", disse que pessoas do Nordeste estão "loucas por atenção com esse coitadismo", e chamou pessoas que foram a seus shows no exterior de "indígenas" e "pedreiros brasileiros". Ele também falou que o Brasil é "país de merda" e "terra ignorante". Para Motta, brasileiros estão consumindo "soda cáustica sonora" e "pulando igual bicho atrás de um trio elétrico".

Veja abaixo o comentário de Ed Motta sobre brasileiros (leia na página do cantor):

OBS = conforme venho avisando aqui nos últimos 3 anos, eu agradeço e fico honrado em ser prestigiado pela comunidade brasileira, mas é importante frisar, não tem músicas em português no repertório, eu não falo em português no show... Preciso me comunicar de forma que todos compreendam, o inglês é a língua universal, então pelo amor de Deus, não venha com um grupo de brasuca berrando "Manuel" porque não tem, e muito menos gritar "fala português Ed"... O mundo inteiro fala inglês, não é possível que o imigrante brasileiro não saiba um básico de inglês. A divulgação da gravadora, dos promotores é maciça no mundo Europeu, e não na comunidade brasileira. Verdade seja dita, que meu público brasileiro de verdade na Europa, é um pessoal mais culto, informado, essas pessoas nunca gritaram nada, o negócio é que vai uma turma mais simplória que nunca me acompanhou no Brasil, público de sertanejo, axé, pagode, que vem beber cerveja barata com camiseta apertada tipo jogador de futebol, com aquele relógio branco, e começa gritar nome de time. Não gaste seu dinheiro, e nem a paciência alheia atrapalhando um trabalho que é realizado com seriedade cirúrgica, esse não é um show para matar a saudade do Brasil, esse é um show internacional. Que desagradável ter que toda vez dar explicações, e ter que escrever esse texto infame...

Sérgio

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Filhos e Felicidade



Bom dia, começando a semana com uma boa reflexão sobre filhos. O texto é de Cris Leão do blog Antes que Eles Cresçam:

No meu tempo de criança, os pais eram pessoas esforçadas pelo sustento da família. Com ostentação ou sem, as pessoas eram mais preocupadas com o trabalho do que com ser feliz. Talvez por isso, já que filhos querem sempre fazer tudo diferente dos pais, agora todo mundo quer fazer o filho feliz, acima de tudo. Isso explica os valores escandalosos que se paga hoje em dia por uma festa de aniversário, a quantidade de brinquedos que as crianças têm e o número enorme de brasileiros indo para a Disney, às vezes para passar o final de semana. Claro que existe a culpa de muitos pais que trabalham demais e tentam compensar os filhos de alguma forma. Mas reflexo da culpa ou não, as crianças de agora nasceram para ser felizes. Será que está certo isso?

Vamos lembrar da nossa infância. Eu pelo menos, era muito feliz. Brincando com minha amiga que morava na casa ao lado, passávamos horas penteando o cabelo uma da outra, ou fazendo comidinha com as plantas do jardim. A maior aventura de que me recordo era brincar de pega-pega com o meu cachorro. Muito básico para você? Acontece que meu cachorro se transformava em uma onça que na verdade era uma Medusa, então em um simples olhar, ele poderia nos transformar em pedras. Por isso estávamos sempre equipadas com frascos vazios de shampoo cheios de água que explodiam como granadas quando caiam no chão. Pois é, criança vem com imaginação de berço. Por isso não precisa ir até Orlando ver os espetáculos de fogos de artifício para ficar maravilhada. Aliás, cá entre nós, já estive na Disney 3 vezes (2 em Orlando e 1 em Paris) e nunca vi tanta criança triste em um parque. Chorando, cansadas, angustiadas, com as mães e os familiares estressados. Claro, já viu o tamanho do lugar? E a quantidade de informação? E de sorrisos maquiados, brilhos, alegria explosiva? Gente, somos humanos. Isso não é um filme. É vida real. Não somos super-heróis, nem princesas. Seu filho vai comer aquela salsicha processada junto com aquele pão velho de uma lanchonete linda com várias coisas girando, e pode ser que passe mal. E ai? Não! Não pode passar mal na Disney. Tem que curtir. Tem que ser feliz.

Eu trabalhei para a Disney traduzindo todos os materiais para o português durante 4 anos. Sou encantada com a empresa e com o negócio em si, gosto de ir porque moro a 300 kilômetros de distância, temos o passe anual, então é um programa barato em um lugar super organizado e bonito na maioria das vezes. Só estou usando de exemplo porque sei que é uma viagem muito cara para se fazer do Brasil, mas isso não está impedindo cada vez mais brasileiros de fazerem. Minha pergunta usando este exemplo é: será que precisamos fazer tanto pelos nossos filhos (viagem de 8 horas de avião, filas intermináveis, quilômetros e mais quilômetros de parque de diversão)? Eu suponho que não. E que está errado os pais sentirem que são responsáveis por fazer dos filhos, pessoas felizes. De onde tiramos essa ideia maluca?

O que eles precisam na verdade é de adultos para educá-los. E como adultos é claro que estamos ocupados. Com a família, com o trabalho, com as funções da casa. Se nessa lista se somar “a felicidade do(s) meu(s) filho(s)” alguém vai ficar muito sobrecarregado e frustado. Talvez seu filho, talvez você, talvez todo mundo. É chato tentar e não conseguir. Já pensou como sente os pais que pagaram a viagem em 6 vezes, passaram 8 horas na lata de sardinha, mais 1 hora em um brinquedo, se o filho sair do brinquedo chorando?

Uma vez eu li o livro “Encantador de Cães” e fiquei fascinada com o raciocínio simples que o genial Cesar Millan escreve ali. Ele diz que cães só vão obedecer quem eles respeitam. E para ganhar respeito é preciso ser a autoridade, é preciso colocar ordem antes do amor. Agora tente trocar a palavra “cães” por “filhos”, dá no mesmo. Autoridade é o contrário de democracia. Os pais não podem estar sempre abertos “O que querem comer?; O que vamos fazer hoje?; Onde vamos passar as férias?”. Entende como é complicado para a criança ouvir isso? Sentir que não existe uma ordem. Ela no auge dos seus 4 anos (ou por volta disso) é que precisa saber, querer e lidar com seus desejos. Meu Deus, está tudo errado aí. No meu tempo de criança, minha mãe interrompia a brincadeira trazendo uma bandeja com uma limonada fresca e biscoitos Maria. Sempre que lembro dessa cena (que aconteceu várias vezes) ela aparece iluminada como uma fada. O que eu sentia era: Nossa, ela é mágica! Como ela sabe que estamos com fome e com sede? Teria sido bem diferente se ela tivesse aparecido e perguntado: Querem lanchar? Vão querer sorvete ou pode ser biscoito mesmo? Estava pensando em fazer uma limonada, vocês vão beber? Ou é melhor eu trazer um suco de uva?

Infelizmente não estou escrevendo isso porque já aprendi a lição. Estou tentando aprender. E só estou escrevendo sobre isso porque descobri que tenho errado bastante. Desde que nos mudamos para Miami, fico com pena e compaixão por qualquer expressão de sofrimento que meus filhos tenham. Porque sei que é difícil para eles. E até esqueço que é difícil também para mim. Minha vida mudou completamente. Mas nem lembro disso. Só penso neles. A consequência? Minha filha de 4 anos cada dia faz uma coisa para me irritar. E então percebi que ela está fazendo isso porque eu a estou irritando. E por que? Porque estou aberta todos os dias para ouvir, para entender o lado dela. Não parece errado a princípio, certo? Mas está errado. Criança precisa de adulto, alguém que tenha um norte e ela acompanha o caminho, se frustando, entendendo seus limites, porque não, a vida não é um parque de diversões cheio de pessoas fantasiadas sorrindo para você o dia todo. A vida é para evoluir. Vamos tentar evoluir como pais antes que eles cresçam. Já pensou como deve ser frustante a adolescência de uma criança que sempre teve uma, duas, ou mais pessoas prontas a atender seus pedidos? Como deve ser difícil perder para um adulto que passou a infância sempre ganhando? Nem que a custa de 12 sofridas prestações para os pais?

Educar dá mais trabalho do que servir o sorvete antes do jantar. Educar envolve mais compromisso do que pagar as 6 parcelas da viagem mágica. Educar é coisa de gente grande. Deve ser por isso que crianças não podem ter filhos. Porque filhos precisam de adultos. Parece que esse é o grande problema da minha geração, não queremos ser adultos. Outro dia vi um post sobre a crise dos 25 anos. Levei o maior susto! A maioria das pessoas que conheço estão nessa crise aos 35 (ou mais). Está na hora de dar esse passo. Parar de focar só na diversão e na felicidade e evoluir, amadurecer. Todo grande passo na vida acontece quando a gente faz aquilo que é desconfortável. Já aprendemos muito sobre diversão e entretenimento, que tal agora aprender a viver?

Sérgio

domingo, janeiro 11, 2015

Prince Ea: Fim do Mundo


Algum tempo atrás já disse isso: a humanidade passou do ponto. Como fazemos para voltar, não sei. Mas, tenho certeza que como estamos (desumanizados, arrogantes, auto-centrados, distantes, intolerantes, violentos), o futuro não será bom.

Sérgio

Prince Ea: Tecnologia



Esse é o Prince Ea. Esse AQUI é o canal dele no Youtube. Ele é um rapper de ativista de 26 anos, nascido em 1988 em Saint Louis, Missouri. O cara pensa e se comunica muito bem. A mensagem dele é clara: precisamos mudar! E não é que ele está certo? Sou totalmente conectado, mas trocaria esta tecnologia por como era antes numa boa!


Sérgio

segunda-feira, novembro 24, 2014

Vida Moderna...


Essa mensagem escrevi ontem no Aeroporto Internacional de São Paulo, pouco antes de vir aos EUA, refletindo sobre as mensagens que recebi em meu aniversário e a saudade daqueles de quem gosto. 

Vida moderna... Perto pela tecnologia, mas sempre longe demais de quem se ama. O mundo é pequeno quando se trata de trabalho, mas grande demais para caber num abraço. Para se estar perto de uns, há de deixar arder a saudade de outros. 

Queria o que tinha na infância ou adolescência: todos que eu amava perto de mim, fisicamente, num universo que abrangia Taubaté, Pinda, São José dos Campos e olhe lá. Quem estava mais longe, vivia nas Minas Gerais...

Hoje, estamos perto e longe ao mesmo tempo. A distância é tão grande quanto meu amor por todos vocês! 46 anos depois de chegar aqui, me sinto jovem e feliz por ter amigos como os que tiveram o carinho de me dedicar uma palavra no dia 20, além de um abençoado por ter a família que possuo ao meu lado. 

Obrigado Pai! Que seja sempre assim!

Sérgio

quarta-feira, novembro 19, 2014

Dilma, indevidamente


Fala sério... Texto da Dora Kramer sobre Dilma e a Petrobras. Veio do Estadão:

Partindo do pressuposto de que não lhe falha a memória e de que o Brasil não sofre epidemia de amnésia, a presidente Dilma Rousseff incorre em ato de deliberada apropriação indébita ao atribuir ao seu governo o marco histórico no combate à corrupção, devido ao desmonte do esquema de ilícitos em funcionamento na Petrobrás entre 2003 e 2012.

Da Austrália, a presidente se pronunciou dizendo que esse é um escândalo de características especiais. Segundo ela, "o primeiro a ser investigado". E por isso mesmo, um divisor, "capaz de mudar para sempre as relações entre a sociedade brasileira, o Estado brasileiro e as empresas privadas", em relação à impunidade. Avocou para si o mérito, quando ele se deve a instituições que funcionaram com independência: Congresso, Polícia Federal, Ministério Público e Supremo Tribunal Federal.

Em matéria de amplitude há, de fato, ineditismo, como demonstraram as prisões dos executivos de empreiteiras na última sexta-feira e já indicam as notícias sobre a próxima fase da Operação Lava Jato sobre o envolvimento de algumas dezenas de políticos. Nem de longe, porém, é possível dizer que esse seja o primeiro escândalo a ser investigado e muito menos que seja a causa de mudança de procedimentos. 

Na realidade, é consequência de um escândalo produzido pelo PT, o mensalão: desde a denúncia de Roberto Jefferson, passando pela bem sucedida CPI dos Correios, o trabalho do Ministério Público, a denúncia do procurador-geral Antonio Fernando de Souza, o julgamento e as condenações no Supremo Tribunal Federal, até as prisões dos réus.

Enquanto os políticos estão quase todos cumprindo suas penas em prisão domiciliar, os operadores do esquema nos bancos e agências de publicidade continuam na cadeia. O principal deles, Marcos Valério ainda ficará por muito tempo em regime fechado. Confiou na influência dos donos do poder e calou-se na CPI e na Justiça. Quando quis fazer delação premiada era tarde. 

Deu-se ali a mudança de paradigma que serviu de exemplo e, depois de alguma resistência, incentivou Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef a optarem pelos acordos de delação premiada. A eles recentemente juntaram-se outros, no que em breve talvez seja uma fila.

Com base nas informações prestadas em exaustivos depoimentos é que a polícia está conseguindo desmontar o que a PF já havia chamado de "organização criminosa" montada dentro da Petrobrás. Isso ao tempo em que o governo tratava o assunto em estado de total negação de que houvesse qualquer tipo de irregularidade na estatal - no máximo se admitia erros administrativos, nunca decorrentes de "má-fé", muito menos de intenções delituosas.

De onde não se pode aceitar como verossímil a versão de que foi a presidente quem "mandou" investigar. Inclusive porque o trabalho foi feito em conjunto pela Polícia Federal, Ministério Público e Justiça do Paraná, instâncias cuja autonomia é assegurada pela Constituição.

Até meados do ano, antes de aparecerem evidências mais consistentes, o governo só fez trabalhar intensamente para inviabilizar as comissões de inquérito no Congresso que pretendiam investigar os negócios na Petrobrás, tentar adiar decisões do Tribunal de Contas da União sobre a refinaria de Pasadena e por várias vezes ministros, políticos governistas e a própria presidente insistiam na versão de que quem lança suspeições sobre a empresa tinha como objetivo enfraquecer um patrimônio nacional e impor prejuízos políticos à candidatura da presidente.

Houve mesmo um momento em que Dilma pôs em dúvida a veracidade do conteúdo das delações premiadas e acusou a oposição de usar as "supostas denúncias" para dar "um golpe" no País.

Diante de tanta contradição e ambiguidade, é de puro exercício de ficção transformar o governo de agente a combatente da corrupção na Petrobrás.

Sérgio

sexta-feira, novembro 14, 2014

Um teste para a doutora


Excelente artigo de Elio Gaspari no jornal O Globo de ontem:

Se Dilma quisesse mesmo fazer o ‘dever de casa’, vetaria a reindexação das dívidas dos estados e municípios

Pelo andar da carruagem, a doutora Dilma sancionará o projeto aprovado há poucas semanas pelo Senado alterando a maneira de calcular as dívidas dos estados e municípios com a Viúva. É coisa de R$ 500 bilhões que deveriam ser devolvidos à União nos próximos 25 anos. O que o Congresso aprovou é uma farra. Sancioná-la significará substituir a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma herança bendita do tucanato, pela prática maldita da irresponsabilidade fiscal.

No século passado estados e municípios quebrados transferiram suas dívidas para a bolsa da Viúva e aceitaram um indexador para quitá-las. Agora, querem mudá-lo, para pagar menos. Com a nova metodologia a União perderá R$ 59 bilhões de receita, R$ 1 bilhão em 2015. Isso num cenário em que, pela primeira vez desde que o Brasil voltou a ter moeda, o governo federal fechou um mês com deficit de R$ 15,7 bilhões. Mais: para melhorar sua contabilidade, o ex-ministro da Fazenda no exercício interino do cargo anuncia cortes nos programas de auxílio-desemprego, abono salarial e auxílio-doença.

Se a questão central fosse dar folga aos governadores e prefeitos, a solução já seria condenável, mas não se trata apenas disso. O Congresso também elevou o teto de endividamento permitido aos estados e municípios. Era de 120% da receita líquida e passará a ser de 200%. Ou seja, quem deve e não quer cumprir o contratado fica autorizado a dever mais.

A farra foi aprovada porque beneficia todos os devedores, mas há um elefante na sala. É a prefeitura petista de São Paulo, que herdou dívidas de R$ 62 bilhões de seus antecessores. Com a nova conta, passará a dever R$ 36 bilhões. A gracinha fará com que a União refresque as contas do mais poderoso município do país abrindo mão de uma receita que é de todos. Com a subida do teto de endividamento, São Paulo poderá tomar emprestados (se quiser) mais R$ 20 bilhões.

Arrecadando menos, a União terá que equilibrar suas contas. Poderá cortar gastos ou buscar outras fontes de receita, precisamente o contrário daquilo que a doutora Dilma prometia durante a campanha.

A irresponsabilidade fiscal tem um componente político. Refrescando-se os devedores fatura-se imediatamente a simpatia de governadores e prefeitos, mandando-se o grosso da conta para as administrações federais vindouras. Esse foi um dos ingredientes da receita que levou o Brasil à “década perdida".

A “contabilidade criativa" produz dois tipos de vítimas. As primeiras são os estados e municípios onde governadores e prefeitos evitaram dívidas ou quitaram honradamente seus compromissos. Fizeram papel de bobos. Depois virão os contribuintes. Eles pagarão à Viúva mais taxas e impostos, ou receberão menos serviços públicos. Em geral, acontecem as duas coisas. O comissário Fernando Haddad, que batalhou pelo ciclismo fiscal, está na Justiça lutando por um aumento do IPTU.

O comissário Miguel Rosseto acha que a aprovação do projeto pelo Senado foi uma “sinalização importante". Outros sinais também sugerem que a doutora Dilma sancionará a farra. Fará isso para satisfazer sua base pluripartidária e para irrigar a administração petista de São Paulo. Fala em fazer o “dever de casa", mas sempre poderá dizer que chegou atrasada ao dia da prova.

Sérgio

segunda-feira, novembro 03, 2014

Isso é Brasil!


Olha, não me interessa em se a culpa é do Partido A ou B. Essa não é uma mensagem partidária e também dispenso comentários de que está melhorando. Não está, a violência, a intolerância e a ignorância da sociedade brasileira como um todo está cada dia mais forte e este é o caldo de cultura para todo tipo de violência que passa a ser encarada como algo normal, cotidiano. Quer um exemplo? O número de ônibus incendiados em São Paulo neste ano é mais que o dobro do registrado em 2013 inteiro. Dados do SPUrbanuss (sindicato das empresas de ônibus) apontam que 140 veículos foram queimados de janeiro até esta semana. No ano passado inteiro, foram 65. Quem se importa? As autoridades parece que não. As pessoas idem, pois alguém protesta disso?

O Brasil se tornou terra de pessoas que acham que só elas tem direitos e resolvem isso na porrada ou em coisa pior. Ao ponto de que garotas adolescentes que mal sabem escrever (vejam acima) só querem balada, putaria e vida loka. Idem para os homens.  Não querem educação, querem (muitos) parceiros fáceis e para isso, batem, agridem, torturam e matam. Colocam filhos no mundo que terão hedonismo, futilidade e bestialidade como companheiros cotidianos e só entenderão isso como maneiras de se expressar, entre si e com os que não pensam assim.

Quando o Brasil vai acordar para esta negra realidade? Vamos brincar de que está tudo bem até que morra um da nossa família? Só aí vamos acordar para a realidade nossa que é pior do que a de nações em guerra? Em dados de 2012 divulgados este ano (é o dado mais atualizado que temos) mostra que a taxa de homicídios no Brasil alcançou o patamar mais elevado da história, com 29 casos por 100 mil habitantes. O índice considerado "não epidêmico" pela Organização Mundial da Saúde é de 10 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. 

Mas, não é só isso: o Brasil quebrou um triste recorde: teve o maior número de pessoas mortas em um ano, segundo dados do Mapa da Violência 2014, que compila dados de 2012. Ao todo, foram 56.337 mortes, o maior número desde 1980. O total supera o de vítimas no conflito da Chechênia, que durou de 1994 a 1996. É inacreditável... Aliás, este é um ponto praticamente ignorado pelos políticos (vide o que falaram do Brasil na campanha recém terminada). ALém de tudo, é uma realidade contra a qual a população não cobra como deveria. Qualquer Marcha das Vadias tem milhares de pessoas. Marcha contra a violência tem centenas, se tanto.

Parece que não nos importamos. Não perdi ninguém da família e nem morri eu mesmo vítima da violência no Brasil, mas não preciso disso para me indignar! Ler uma notícia como essa abaixo já me mostra que a morte é o que menos importa. Aqui é tudo roleta russa: vou bater, vou fazer e acontecer. Se o outro morrer, foda-se! Não pode ser assim, mas é e quem disser que não, está fazendo vista grossa e poderá pagar com a vida por esta miopia. Está intolerável e não falo do futuro, falo do presente. 

Sei que poucos terão lido, mas fiz minha parte e vou continuar fazendo. Meninas como essas, jovens, que deviam estar estudando (vide as mensagens exibidas na imagem acima) estão aí, pelas ruas só querendo saber de festa, agito, pagode, funk, pegação, namoro e sexo, não necessariamente nesta ordem. Só a educação de qualidade, que alie escolas e família, mudará isso. Sim, só escola não resolve: a escola deve dar conhecimento e a família deve dar educação, base moral. A escola tem o papel de mostrar que os valores que a família ensinou também são comungados pela Sociedade. É um trabalho que deve ser feito em conjunto. Mas, o Estado não quer e a família de hoje, em geral, não pode dar esta noção de educação e cidadania por não saber o que é isso. Quem não tem valores, não os pode ensinar.

Leiam a notícia abaixo e digam se é esta a sociedade na qual querem viver ou deixar seus filhos viverem? Na qual meninas emboscam "rivais" e fazem sessões de tortura e agressões que duram até 10 minutos, como este caso? Aliás, esse é só um caso, há milhares. Veio do G1:

A garota de 18 anos que foi agredida a pauladas e socos por outra jovem no fim de setembro em Guarujá, no litoral de São Paulo, falou pela primeira vez publicamente sobre o momento em que foi cercada por sete meninas quando saía de uma festa no bairro Morrinhos. O vídeo da agressão foi parar em uma rede social e causou constrangimentos à família de Thissiane Voitexem dos Santos que, na época, ainda era menor. A polícia está investigando o caso. Thissiane contou que não sabe ao certo o que realmente teria motivado a briga, mas lembra das ameaças que sofreu ainda nas redes sociais. “Essa menina é conhecida do meu ex-namorado. Depois que ele postou alguma coisa no Facebook, ela me xingou, achando que era uma indireta dele para mim. Mas eu realmente não estava entendendo nada, até porque não estamos juntos há quase um ano. Depois, eu fiz uma postagem no meu mural e a garota achou que era sobre ela, e veio tirar satisfação”, explica.

O caso que parecia apenas uma discussão virtual teve um novo capítulo no fim de setembro. Após ir a uma festa no bairro Morrinhos com alguns amigos, Thissiane voltava para casa por uma estradinha, quando foi cercada por sete meninas. Segundo a jovem, uma delas era a garota de 22 anos que já havia feito ameaças pela internet. “Ela e várias meninas vieram atrás de mim de bicicleta. Ela já chegou dando um soco no meio do meu peito e começamos a brigar. Depois eu tentei correr e ela pegou uma garrafa, dizendo que iria me matar, mas não me acertou. Não sei de onde ela tirou um pedaço de pau e começou a me bater e puxar o cabelo, até que uns meninos separaram”, conta. A jovem lembra que duas pessoas gravaram vídeos, mas que a versão que circula na internet, com apenas 45 segundos, registrou somente os últimos momentos da agressão. Segundo ela, toda confusão durou cerca de dez minutos.

Com medo de represália, a mãe da jovem deixou para registrar o Boletim de Ocorrência dias depois. No entanto, Thissiane não fez questão de ir à delegacia prestar queixa, porque quer esquecer a história. “Sinceramente, eu sou muito ‘de boa’, tenho o coração mole e queria esquecer essa história”, revela. Já a  irmã mais velha, Thábata Santos, de 26 anos, diz que quer uma solução para o caso e a punição da acusada. “Eu vou levar minha irmã para dar o depoimento dela na delegacia nos próximos dias. Isso não pode ficar assim. Já tivemos o caso de Praia Grande e a polícia precisa investigar quem fez isso”, ressalta. Thábata acredita que a popularidade da irmã foi um dos motivos da confusão. "Minha irmã é muito odiada por aqui, pelo fato de ser muito bonita. As garotas sentem raiva dela porque os meninos curtem muito as fotos dela no Facebook. Apesar disso, ela nunca mexeu com ninguém", afirma. Thissiane afirma que não sente raiva da agressora e que tudo não passou de inveja. “Nunca gostaram de mim, mas se eu fosse feia não me batiam, ninguém teria problema comigo”, comenta. A Delegacia da Mulher, onde o caso foi registrado, aguarda o relato da vítima para dar prosseguimento nas investigações.

Sérgio

segunda-feira, outubro 27, 2014

Brasil: Poço Sem Fim!


Só tenho a dizer que estou sem esperança! Triste pela minoria que queria um caminho diferente. A maioria do povo, entre os que votaram nela e os que se omitiram, terá o que merece. É só esperar...

Mais quatro anos de um governo que não me representa!

Sérgio

domingo, agosto 17, 2014

Vergonha Alheia!


Tenho muita vergonha do que está acontecendo e do que virá nesta Campanha Eleitoral 2014. Primeiro, o povo brasileiro sendo manipulado como sempre, pois só por ter morrido, o Eduardo Campos passou a ser o Salvador da Pátria perdido. Um herói, um mártir, um santo, talvez! Quando vivo, não prestavam atenção, não é? Pois ele não era herói, não era mártir e nem santo. Era um político (como todos os outros) com um projeto e que, tristemente, morreu em campanha, trabalhando. É triste, ele tinha família, sonho, blá, blá, blá, mas é só isso!

Trabalhadores morrem todos os dias fazendo aquilo com o quê ganham à vida!

Mas, com a ajuda da mídia, todos os partidos vão tirar proveito de sua morte, que será uma sombra na Campanha 2014 e, quase certamente, colocará Marina Silva no segundo turno e, talvez, até no Planalto. Ela, por sua vez, também está tirando partido da morte de Eduardo, que era seu aliado por conveniência mútua. Em um arroubo de oportunismo, chega a pedir que a viúva de Eduardo Campos para ser sua "vice". Ou seja, não é necessário competência administrativa ou currículo para ser vice-presidente. Mas, ser uma boa cabo eleitoral, como uma pobre viúva pode muito bem sê-lo.

Já que não prestavam atenção no Eduardo Campos, sugiro que prestem na Marina. Vejam suas posições antes de dar à ela o voto da famosa "Terceira Via". Não sou PSDB e nem PT: vejo propostas e analiso possíveis resultados. Vejam as propostas, pesem bem antes de votar pela emoção do "Não Vamos Desistir do Brasil". Não sejam enganados pela mídia!

Sabe como é, né? No Brasil parece que o poço nunca tem fim!

Sérgio