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quinta-feira, junho 23, 2016

Até tu, Zuckergberg?


Vejam só... Costumo fazer o mesmo. Mas tem muitas coisas com câmeras ao nosso redor hoje. Precisamos mesmo de tudo isso? Seja as câmeras e microfones, seja a proteção contra hackers? Acho que deu ruim... Veio da Exame:

O Instagram anunciou ontem que atingiu a marca de 500 milhões de usuários. Para comemorar, Mark Zuckerberg, CEO e cofundador do Facebook (que é a empresa dona do Instagram) publicou uma foto especial, que é a que está abrindo este texto. O que alguns observadores atentos perceberam é que Zuckerberg faz parte do grupo de pessoas que usa uma fita adesiva para tampar a câmera de seu notebook.  Além disso, também é possível ver um pedacinho de fita bloqueando o microfone lateral do MacBook. Como ressalta o site Gizmodo, essa é muito possivelmente a mesa de Zuckerberg e aquele o seu notebook de trabalho. Ele já transmitiu um Facebook Live dessa mesma mesa—o que diminui as chances de que seja apenas uma coincidência. 

Zuckerberg não é único com esse hábito curioso. Em abril deste ano, um diretor do FBI afirmou em entrevista que faz o mesmo. Ele disse que passou a fazer isso depois que viu “alguém mais inteligente” do que ele bloquear a câmera com fita. Essa preocupação faz sentido. Uma pesquisa de 2013 mostrou que era possível acessar e ligar uma câmera de um MacBook sem que a luz de alerta fosse acessar. Outro estudo, do Kaspersky Lab, de 2012 revelou uma ferramenta que faz trabalho parecido. As estimativas da empresa de segurança é que essa ferramenta estivesse sendo usada desde 2007.

Sérgio

terça-feira, março 01, 2016

Você acredita na Internet?



Absurdo: vejam esta história: Advogados criam perfil falso na Wikipédia e jurista fictício aparece em documentário e decisão. Veio do site Migalhas:

Jurista, educador, filósofo político, compositor e advogado brasileiro. Segundo a Wikipédia, as qualificações pertencem ao distinto Carlos Bandeirense Mirandópolis: homem com legado e história louváveis e... inexistente, conforme revela reportagem divulgada pelo G1 nesta terça-feira, 23. De acordo com matéria publicada pelo site, Mirandópolis foi "criado" em 2010 por dois advogados paulistas com o objetivo de pregar uma peça em um estagiário, que tinha o hábito de usar indiscriminadamente informações da internet para fazer pesquisas jurídicas. O que eles não esperavam, entretanto, é que o perfil falso na enciclopédia virtual fosse causar tamanho impacto, a ponto de Carlos Bandeirense Mirandópolis figurar em trabalhos acadêmicos, documentário e até decisão judicial.

Perfil falso

De maneira aprazível, o perfil do suposto jurista na Wikipédia – ilustrado com uma foto do político austríaco Michael Häupl – anuncia que Mirandópolis "marcou época não somente por seus profundos estudos sobre as associações civis como também por ter sido um incansável defensor da democracia". Na "trajetória" de vida de Carlos consta que foi catedrático da cadeira de Direito Civil na PUC/SP de 1959 a 1968, quando foi obrigado a abandonar o país pelos militares, no dia seguinte à edição do AI-5. No exílio, segundo a enciclopédia, foi para a França, onde foi convidado a dar aulas na Université de Paris. De acordo com a publicação, ainda exilado Mirandópolis teria sido convidado a ocupar a cadeira de Ruy Barbosa na Academia Brasileira de Letras, mas declinou o convite declarando: "Como posso ser imortal na terra em que já morri há muito?"

Entre as ardilosas histórias contadas no perfil falso, uma delas envolve o famoso cantor Chico Buarque de Hollanda. Pelo texto, Chico teria declarado que a música Samba de Orly, "foi a reconstrução de uma composição original de Mirandópolis". "Segundo ele, a composição de Mirandópolis era muito mais bela, porém este nunca permitiu que fosse gravada, pois não queria perpetuar na partitura a tristeza do exílio." Além de citar várias obras escritas pelo jurista fictício, o perfil falso anuncia que, durante seu último ano de vida, como esforço final, Mirandópolis teria participado do Comício das Diretas Já, em 1984.

Engodo

Os criadores do perfil, os advogados Victor Nóbrega Luccas (direita) e Daniel Tavela Luís (esquerda), contaram em entrevista ao G1 que tudo não passou e uma brincadeira. Após perceberem o hábito de alguns estagiários de usar informações da internet sem checagem, eles pediram que um dos jovens fizesse uma pesquisa sobre a teoria da Oferta Pública de Associação, "que não existe". "A coisa tomou uma proporção que a gente nunca imaginava. Eu esperava aparecer em alguns blogs, mas não em uma fonte mais séria. Eu gargalhei. Mas, se é engraçado por um lado, é triste por outro, porque as pessoas não estão usando a internet corretamente”, disse Victor ao portal.

Alcance


Com a disseminação da história de Mirandópolis, o personagem ganhou notoriedade da internet e passou a ser citado, com relação a seus supostos feitos, como se realmente existisse. Carlos Bandeirense chegou a figurar em alguns trabalhos acadêmicos e até no documentário produzido sobre as Diretas Já. No site da produção, ele é citado no trecho que elenca "lideranças e personalidades" que participaram do movimento. Carlos Bandeirense Mirandópolis ainda teria pregado uma peça no Judiciário. Em decisão datada de novembro de 2014, o Órgão Especial do TJ/RJ declarou a constitucionalidade da lei estadual 6.528/13, que determina, dentre outros, a proibição do uso de máscaras ou de qualquer forma de ocultar o rosto para impedir a identificação em manifestações. Em seu voto, a relatora do processo, desembargadora Nilza Bitar argumentou que "as maiores manifestações deste país foram feitas por brasileiros sem máscaras, fossem elas de direita ou de esquerda". Entre os apontados está o Comícios das Diretas Já, no qual consta como participante o famigerado jurista.

Sérgio

quarta-feira, outubro 07, 2015

War Online!


Que legal: O jogo de tabuleiro "War" ganhou uma versão digital para tablets e computadores. Ele pode ser jogado gratuitamente pelo site da Grow Games (acesse AQUI) e também por aplicativos para Android (clique AQUI para baixar) e iOS (clique AQUI para baixar). Desenvolvida pela Sioux, a versão digital de "War" mantém o estilo de jogo do original. Ou seja, você ainda precisa conquistar territórios usando seus exércitos. Porém, é possível jogar com até outros seis amigos pela internet, inclusive em partidas entre plataformas diferentes – você no iPad e o oponente no PC, por exemplo. O jogo também tem um modo offline, para um único dispositivo, em que até seis jogadores disputam entre si (ou contra a máquina) o domínio do mundo. O site da Grow Games, que foi ao ar na última quinta (01.10.2015), também terá versões digitais de outros jogos clássicos da empresa, como "Imagem & Ação", "Super Trunfo", "Super Lince" e "Puzzle". De acordo com a Grow, esses títulos também serão lançados gratuitamente, mas é possível fazer uma assinatura mensal de R$ 15 para obter vantagens, como partidas ilimitadas, ofertas e produtos exclusivos.

Sérgio

quarta-feira, setembro 23, 2015

Selfies & Tubarões


Sabe quem mata mais por ano? As Selfies! Pois é... Nem tudo que a tecnologia trouxe é bom, rsrsrs  Tem hora e lugar para tudo. Matéria da revista Época. Veja AQUI a matéria original do site Mashable:

Já falamos deste "fenômeno" aqui no Experiências digitais: selfies podem matar. Um levantamento feito pelo site de tecnologia Mashable mostra que o número de mortes causadas por selfies em 2015 supera o de causadas por ataques de tubarões. Foram 12 acidentes fatais originados pelo ato de tirar fotos de si mesmo contra oito ataques de tubarões. O último caso aconteceu na semana passada. Um turista japonês morreu depois de despencar de uma escada enquanto tentava fazer uma selfie no Taj Mahal, na Índia. Esse tipo de acidente é o mais comum entre as mortes por selfie. Quatro dos 12 casos fatais foram de gente que caiu enquanto tentava tirar uma foto de si mesmo. Em segundo lugar, aparecem as selfies com trens em movimento... Pois é. A preocupação com o fenômeno é tamanha que o governo russo lançou em julho deste ano uma cartilha num movimento nacional para conscientizar a população sobre os perigos da selfie. Um parque nacional no estado do Colorado, nos Estados Unidos, chegou a fechar as portas porque as pessoas não conseguiam parar de tirar selfies com... ursos.

Há algo de errado na humanidade.

Sérgio

sexta-feira, junho 19, 2015

Internet & Suicídio



Cuidado, as pessoas estão hoje cada dia mais sem noção. Uns e outros... Uma jovem que teve castigo divulgado na internet se matou nos EUA. Veio do G1:

A adolescente Izabel Laxamana, 13 anos, matou-se pulando de uma ponte em Tacoma, cidade de Washington, nos Estados Unidos. O ato de desespero aconteceu logo depois de um vídeo em que ela aparece tendo os longos cabelos cortados pelo pai --como forma de punição por um mau comportamento-- ter sido divulgado nas redes sociais, segundo reportagem publicada pelo jornal americano "Daily News". A polícia local abriu uma investigação sobre o episódio e o pai da jovem não deverá ser responsabilizado. Os oficiais trabalham com a hipótese de bullying, já que a jovem teria postado na rede social Google Plus que odiava estar na escola, onde todos a julgavam. "A investigação está sendo frustrante, pois a única pessoa que disse ter informações sobre o caso sequer conhecia menina", disse a policial Loretta Cool ao periódico americano. Os motivos que levaram o pai a repreender a filha dessa forma não foram divulgados à imprensa. Segundo Loretta, o vídeo não foi publicado na internet pelo pai da garota. A menina saiu de um carro na última sexta-feira (5) e pulou de uma ponte na rodovia interestadual da cidade. Ela chegou a ser socorrida e levada para um hospital de Seattle, mas morreu no dia seguinte.

Alguns usuários das redes sociais acusam o pai de Izabel de humilhação pública e o culpam pelo suicídio. Até uma página no Facebook, intitulada "Justiça para Izabel", foi criada pedindo que o homem responda criminalmente pela morte da filha. "Ela fez algumas escolhas erradas, mas não precisava se matar por isso," afirmou Loretta ao "Daily News". Na entrevista, a oficial da polícia reconheceu que cortar o cabelo para disciplinar a garota não foi a melhor maneira de castigá-la. Segundo psicólogas e psicopedagogas, esse tipo de punição humilhante pode ser muito prejudicial para o desenvolvimento da subjetividade do adolescente, além de causar problemas de autoestima, raiva e revolta em relação aos pais. O vídeo original do castigo foi retirado do YouTube, no entanto, um amigo da adolescente compartilhou o material com o objetivo de desencorajar outros pais a fazerem o mesmo.

Sérgio

terça-feira, junho 02, 2015

O E-mail Bomba


Artigo do grande Nelson Motta no O Globo de hoje. O mundo está mesmo mudando!

“Nunca é fácil separar, então vamos fazer o seu trabalho sujo. Por que se preocupar dizendo adeus ao seu amor? Quem precisa de dor e quem tem tempo? Por que olhar nos olhos dela ou dele? Ninguém quer lidar com toda a gritaria, choro e apelos emocionais de ‘apenas mais uma chance’”.

É chocante, mas tem gente que acredita e paga por isso: um site da Austrália se oferece para acabar namoros por e-mail, SMS ou telefone, por módicos cinco dólares.

Pensando bem, o e-mail não é uma ideia tão absurda assim. Homens têm muita dificuldade de acabar namoros, têm medo de enfrentar mulheres chorando e gritando, ou tomadas por fúria infernal, e vão empurrando com a barriga, arriscando relações paralelas, e às vezes são eles que acabam levando um pé na bunda. E aí, com o orgulho macho ferido, o otário descobre que aquela é a mulher que quer, e que vai reconquistá-la a qualquer preço, numa receita segura de infelicidade absoluta.

Por que não escrever um e-mail sincero e educado, pensado e refletido, lido e relido, cortado e reescrito, usando a razão para expressar os sentimentos e os motivos que levam àquela decisão? Quanto menor e mais conciso, melhor.

Você tem vários dias para escrever e para pensar antes de mandar, e pode até não mandar. Tem a segurança de ler e reler o que escreveu, de “ouvir” o que você mesmo está dizendo, de poder mudar, de escolher e pesar bem cada palavra para evitar mal-entendidos ou dar margem a dúvidas e ambiguidades que complicam e esticam ainda mais a história.

E, por incrível que pareça, sim, tudo isso pode ser feito com emoção.

A vantagem de expressar por escrito as suas razões tem como contrapartida a responsabilidade de ser cobrado por cada palavra. A pessoa pode ler mil vezes, analisar, entender e sentir o que você diz, e dar o caso por encerrado. Fim de jogo.

Claro, escrever bem ajuda a otimizar o método, o que dá certa vantagem a profissionais da escrita, mas não garante o sucesso: você pode ser acordado no meio da madrugada por telefonemas ameaçadores ou com alguém esmurrando a sua porta e gritando que você é um cafajeste que acaba namoro por e-mail.

Sérgio

quinta-feira, maio 07, 2015

Salva pela Pizza!


Tem coisas que só aqui mesmo: em cativeiro com os 3 filhos, mulher usa app do Pizza Hut para pedir ajuda.Veio do G1.

Uma norte-americana usou o aplicativo de delivery da Pizza Hut para avisar que ela e seus três filhos estavam sendo mantidos em cativeiro e pedir ajuda da polícia. O caso aconteceu no estado da Flórida nesta segunda-feira (4), segundo informações da polícia do Condado de Highlands. O suspeito de sequestro, namorado da mulher, foi preso em flagrante e responderá pelos crimes de ataque à mão armada sem intenção de matar, aprisionamento e obstrução da Justiça. Após discutir pela manhã com o namorado, Cheryl Treadway foi impedida de sair de casa.  Armado com uma faca, Ethan Earl Nickerson, de 26 anos, permitiu a ela uma única exceção: deixou que ela buscasse, junto dele, um dos filhos na escola. Após apanhar a criança, manteve os quatro incomunicáveis. Além de não deixarem a casa, não podiam fazer ligações nem usar celulares.

Ela conseguiu convencer Nickerson a pedir pizza pelo aplicativo. Logo após fazer a solicitação falsa de uma pizza grande de pepperoni, o rapaz tomou o celular das mãos dela. A mulher, porém, havia incluído no campo de observações de sua solicitação o pedido por socorro: “Por favor ajuda. Chame o 911 para mim” e “911 refém ajuda”. Ao receber o pedido, os atendentes da Pizza Hut comunicaram a polícia, e oficiais foram enviados ao local. Foram recebidos por Cheryl, que carregava o menor dos filhos no colo. A negociação com Nickerson para que liberasse as outras duas crianças e se entregasse durou cerca de 20 minutos, mas acabou bem. Elas foram resgatadas sem ferimentos. O delegado do Condado de Highlands, Mark Schrader, credita o sucesso da operação à eficiência dos policiais em atenderem o chamado, mas, sobretudo, à iniciativa de Chreryl, que recorreu a um app de delivery para pedir ajuda. A gerente da Pizza Hut que recebeu o “pedido” ficou surpreso. “Nós nunca vimos isso antes”, afirmou Candy Hamilton à rede de TV “WFLA”. “Eu já estou aqui há 28 anos e nunca, nunca havia visto nada como isso antes.”

Sérgio

domingo, março 22, 2015

Segurança na Web


Pessoal, essa reportagem está em inglês, mas vale a pena ler e até usar o Google Translate para conferir: 5 dicas simples para preservar sua intimidade em tempos de web em todo lugar. Acho muito importante e faço, em especial, a de cobrir a câmera de meu notebook e celular quando não uso. Vale a pena ler, veio do TED:

There seems to be a new data breach in the news every week — a major company hacked, millions of usernames, passwords or credit card numbers stolen. There isn’t much that you, as an individual, can do to stop hackers from stealing the data you entrust to companies. However, there are some easy things you can do to significantly reduce the harm from such breaches.

Outsource your passwords to a robot

The human brain can only remember so many passwords, not to mention we’re actually really bad at picking good ones. So, too often we just reuse passwords across multiple sites. This is a Very Bad Idea. Once hackers break into a website and steal a database of email addresses and passwords, they can then try to use those same passwords to login to other sites. This is a huge problem, because so many of us use the same password for our Facebook, Google, Twitter and online banking accounts. The solution instead is to use a password manager, a software tool for computers and mobile devices, which will pick random, long passwords for each site you visit, and synchronize them across your many devices. Two popular password managers are 1Password and LastPass.

Get a U2F key — and use two-factor authentication wherever possible

One other way to protect your accounts is to make sure that even if someone learns your password, they won’t be able to log in. To do this, you’ll want to enable two-factor authentication, an additional security feature that can be added to many online accounts. For some sites, this additional step can take the form of a random number sent to your phone by text message, or running a special app on your smartphone that generates one-time login codes. A relatively new, and even easier form of two-factor authentication is a U2F security key, a device that looks like a thumb drive, which you insert into the USB port when you login to an account from a new computer. These devices, which cost about $15, can be used to add a significant boost to the security to your GMail account. Over the coming months and years, it is likely that other major tech companies will add support for the U2F token.

Enable disk encryption

If you lose your laptop or your phone and it doesn’t have disk encryption enabled, whoever finds the device can get all your data too. On the iPhone and iPad, disk encryption is turned on by default, but for Windows, Android or Mac OS you need to make the effort to switch it on. It’s a big deal, essentially the difference between buying a new laptop (bummer) and having to put out an identity theft alert.

Put a sticker over your webcam

There are software tools used by criminals, stalkers and generally creepy dudes that allow them to turn on your webcam without your knowledge. Granted, this doesn’t happen millions of times a year, but the horror stories are real and terrifying. One simple sticker means you use your webcam when you choose to use it.

Encrypt your telephone calls and text messages

The voice and text message services provided by phone companies are not secure and can be spied upon with relatively inexpensive equipment. That means that your own government, a foreign government, as well as criminals, hackers and stalkers can listen to your phone calls and read your text messages. Some Internet-based mobile apps that you likely already use are much more secure, enabling you to talk privately to your loved ones and colleagues, and don’t require that you do anything or turn on any special features to get the added security protections — Apple’s FaceTime and WhatsApp on Android are both good. If you want an even stronger level of security, there is a fantastic, free tool called Signal available on Apple’s App Store.

Sérgio

terça-feira, março 03, 2015

Li-Fi


Você já ouviu falar de Li-Fi? É um sistema que pode substituir o tradicional roteador Wi-Fi e vai funcionar com a luz. Muito interessante...

O atual sistema utilizado  nas residências ao redor do mundo, o Wi-Fi (wireless fidelity, em inglês), é eficiente, porém tem suas limitações. Quem não passou raiva com as constantes quedas no serviço wireless da internet quando se está usando o notebook ou tablet? Se você pudesse ver os sinais flutuando pela sua sala, veria que o espaço é densamente povoado por sinais Wi-Fi de roteadores e dispositivos competindo pelas bandas disponíveis. Até seu forno de micro-ondas entra nessa trapalhada, pois emite ondas na mesma frequência do roteador. Pensando numa maneira mais eficiente de transmitir informações, o Grupo Haas e os pesquisadores da Universidade de Cambridge, em Oxford, estão já na fase avançada de um projeto de 4 anos,  financiado pelo Conselho de Pesquisa em Ciências Físicas e Engenharia. O projeto usa as famosas luminárias de teto, encontradas nas casas e outras edificações, para prover internet de alta velocidade a curtas distâncias.

Como funciona o Li-Fi? Primeiro, os dados são transmitidos para uma lâmpada LED – que poderia ser a que ilumina a sala em que você está sentado agora.  A lâmpada se ascende e apaga muito rapidamente, até bilhões de vezes por segundo. Esta oscilação é tão rápida que o olho humano não consegue perceber, dando a impressão de que a luz está apenas acesa. Então, um receptor em um computador ou dispositivo móvel – basicamente, uma pequena câmera que pode ver a luz visível – decodifica esse “piscar” em dados. Lâmpadas LED podem oscilar rápido o suficiente para transmitir dados cerca de 10 vezes mais rápido que as redes Wi-Fi tradicionais. E isso deve melhorar com o avanço da tecnologia Li-Fi.



Segundo testes realizados pelos pesquisadores, a frequência luminosa mostrou-se mais eficiente que ondas de rádio e consegue conectar até quatro computadores ao mesmo tempo. Como a conexão Li-Fi é de baixo custo, pode se expandir rapidamente em mercados com grande número de consumidores, como é o caso da China. Novos modelos de iluminação LED poderão atingir velocidades de 10 Gigabits por segundo e transmitir dados a uma distância de 10 metros. Futuramente serão possíveis velocidades entre 15 Gb/s, isto é, mais de 2 vezes a velocidade das Wi-Fi’s convencionais. Essa tecnologia traria benefícios ao substituir outras conexões conhecidas, como a Bluetooth ou a própria conexão via cabo, a USB. Pois é, sua luminária nunca pareceu tão interessante, não é mesmo?

Sérgio

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Inacreditável...


Onde está o limite? Não existe, não é? Decisão de Juiz do Piauí manda tirar WhatsApp do ar em todo o Brasil. O Brasil anda na contramão da história e da razoabilidade. Veio do G1:

O Núcleo de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Piauí informou que o juiz Luiz Moura Correia, da Central de Inquéritos da Comarca de Teresina, expediu decisão mandando que uma empresa de telefonia suspenda temporariamente em todo o Brasil o acesso ao aplicativo de troca de mensagens instantâneas WhatsApp. Em nota para a imprensa divulgada nesta quarta-feira (25), o Núcleo de Inteligência diz que o mandado judicial foi expedido no dia 11 de fevereiro, após a empresa se negar a dar informações para uma investigação policial. A informação também foi repassada pelo delegado geral do Piauí, Riedel Batista. "Existe um inquérito na Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA) e a delegada precisou de informações contidas no WhatsApp para embasar o caso e o aplicativo se negou a dar. O juiz determinou que as informações fossem prestadas e mesmo assim o aplicativo se negou", disse. O G1 procurou o WhatsApp para tratar sobre a decisão judicial, mas a empresa ainda não se pronunciou sobre o assunto.

A nota do Núcleo de Inteligência da Secretaria de Segurança disse que os os “processos judiciais que originaram as referidas decisões tiveram início desde o ano de 2013, mas até o presente momento data (25) os responsáveis pelo WhatsApp não acataram as ordens judiciais”. A nota afirmou também que o mandado judicial foi encaminhado para as operadoras de telefonia móvel para que seja cumprido. O documento foi assinado pelos delegados Alessandro Barreto Gonçalves, Éverton Ferreira Almeida e Daniel Pires Ferreira. "A Polícia Civil não sabe de muita coisa, pois ela só deu encaminhamento ao mandado do juiz para os órgãos competentes. Não sabemos quando o aplicativo deverá deixar de funcionar e nem por quanto tempo", disse o delegado geral, Riedel Batista. 

A delegada da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA), Ana Kátia Esteves, em coletiva para a imprensa, disse que todas as empresas de telefonias foram notificadas sobre a suspensão do serviço ainda no mês de fevereiro deste ano. Ainda de acordo com ela, as empresas vêm descumprindo a ordem e cabe ao Núcleo de Inteligência o acompanhamento para o cumprimento das decisões judiciais. "O procedimento de solicitação das informações junto ao WhatsApp vem desde 2013 quando o inquérito foi instaurado. A empresa não vem cumprindo as solicitações desde então, por isso, o juiz entrou com uma representação através da decisão judicial de suspensão do serviço no país. Ainda segundo a delegada, se a decisão de tirar aplicativo do ar não for atendida, pode caracterizar-se crime de descumprimento de ordem judicial, mas "quem vai decidir é o juiz", afirmou. O juiz Luiz Moura Correia, autor da decisão, afirmou que não poderia dar informações sobre o caso já que o despacho se refere a um processo que corre em segredo de Justiça.

Sérgio

domingo, agosto 31, 2014

Ignore Me No More


Vejam só: App que trava celular de filho que ignora pais já é usado por namorados. 'Ignore No More' impede que celular execute qualquer atividades. O aparelho só volta a funcionar normalmente se retornar ligações dos pais. Agora, namorados doentios estão usando o aplicativo também. É demais, não?

A alegria dos adolescentes e jovens que costumam evitar as ligações e mensagens dos pais pode estar com os dias contados. Tudo isso graças à irritação de uma mãe norte-americana. Sharon Standifird costumava ser solenemente ignorada pelos filhos. Para virar o jogo, criou o aplicativo “Ignore No More” (Ignorar Jamais, em tradução livre) para impedir o smartphone de fazer outra atividade até que contatem os pais. Ou seja: enquanto o chamado paterno não for atendido, nada de WhatsApp com os amigos, “Candy Crush”, Facebook ou YouTube.

O G1 entrou em contato com a empresa de Sharon, a Mountaineer Technology Ventures, que fica na cidade de Fulshear, no Texas (EUA). As perguntas foram respondidas por alguém que compartilha da mesma impaciência de Sharon quando os filhos, Brad e Alexandria, não respondem: William Standifird, marido e parceiro na companhia. “Sharon estava definitivamente brava por eles não responderem, mas isso foi [o aplicativo] mais sobre ficar preocupada como mãe que algo estivesse errado com as crianças. Fogo, roubo, acidente de carro etc", afirmou William ao G1, em entrevista por e-mail. A preocupação de Sharon foi reforçada quando Alexandria foi estudar Geociências na Universidade do Texas que, apesar de ficar no mesmo estado, está distante 410 quilômetros do aconchegante e protetor lar materno. "Então ela inventou o app para garantir a segurança deles mas como uma ferramenta de punição”, disse o pai. "Eu pensei que era uma boa ideia, mas não para mim", disse o outro filho, Brad, à rede de televisão ABC.

Usos criativos

O “Ignore No More” é o primeiro serviço criado pela empresa, fundada por Sharon, em 2013, após abandonar a carreira de professora para se tornar empreendedora. O app chegou à Google Play nesta terça-feira (26) ao custo de US$ 2 –a empresa trabalha em uma versão para iOS, mas não diz quando chegará aos iPhones. “Nós temos muitos usuários no Brasil”, afirmou William, sem dizer quantas vezes o app foi baixado no país e acrescentando que a contagem de downloads é informação confidencial da empresa.

Apesar do pouco tempo de vida, o app já chamou a atenção não só de pais, mas também de outras pessoas igualmente cansadas de serem enroladas. “Alguns pais estão usando o app para criar um 'intervalo digital' para seus filhos como punição, digamos, por notas ruins”, contou. “Outros o estão usando nos tablets durante a hora de dormir para garantir que os dispositivos não estão sendo usados tarde da noite”, completou. A capacidade de suspender as atividades de um aparelho entrou ainda no radar de um grupo bastante particular. “Há algumas instalações de maridos e esposas ou de namorados e namoradas”, afirmou William. Para que o sistema funcione, porém, ele deve ser instalado em ambos os aparelhos.

No ano passado, um aplicativo também para Android e usado por namorados causou polêmica no Brasil e chegou a ser excluído pelo Google da Play. O programa em questão era o “Rastreador de Namorado”, que enviava ao celular de um dos cônjuges cópias dos SMS enviados, um registro das ligações e até um relatório de quando o aparelho esteve em modo avião. Na época, especialistas em direito digital atestaram que, se não houvesse consentimento, o app poderia ferir a lei 12.737, de 2012, a chamada “Lei Carolina Dieckman”. O "Ignore No More" talvez não faça apenas adolescentes serem mais atenciosos com seus pais, mas, pelo que diz William, em breve forçará namoradas e namorados saidinhos a entrarem na linha.

Veja como configurar o aplicativo: 

1) Instale o aplicativo no celular de um dos pais (disponível para Android aqui);
2) Crie uma conta volta a pais: é preciso informar um endereço de e-mail e elaborar uma senha; é possível usar a mesma conta em outros aparelhos;
3) Instale o aplicativo no celular dos filhos;
4) Registre o aparelho como Filho; autorize a ativação do app, para que o aparelho possa ser controlado remotamente pelo dispositivo de um dos pais;
5) Atualize a lista de filhos no aplicativo instalado no smartphone dos pais;
6) Se o celular dos filhos for Samsung, LG, HTC, entre outros, vá até contatos e inclua no grupo “ICE – emergency contacts” os telefones que devem ser acionados para que o aparelho seja destravado.

Sérgio

sábado, agosto 30, 2014

Selfie no Motel?


Depois reclamam da exposição indevida... Motéis de São Paulo fazem concurso de selfie na suíte. Participantes têm que enviar fotos tiradas no quarto dos estabelecimentos. Ganhador terá direito a 25 convites para motéis até o fim do ano. Veio do G1:

A moda do “selfie pós-sexo” virou concurso em São Paulo. Um grupo de motéis da cidade criou uma promoção para que os clientes enviem fotos tiradas nos estabelecimentos. O concurso, voltado para maiores de 18 anos, pede que os candidatos enviem uma foto “individual ou com o parceiro” dentro da suíte de um dos motéis participantes. Também são aceitos registros de parte do corpo ou da decoração da suíte. Segundo o regulamento, não são aceitas fotos pornográficas, com nudez explícita ou que não tenham sido autorizadas pelos participantes do retrato. O concurso foi batizado de “Dia do Sexo no Motel”, em alusão ao dia 6/9, quando se comemora o “Dia do Sexo”. Os fotos têm que ser enviadas até o dia 7 de setembro. O prêmio para a foto mais “bela e criativa” é “motel grátis até o fim do ano” – na verdade, são 25 convites VIP para serem usados nos estabelecimentos participantes. Veja mais fotos enviadas para o concurso clicando AQUI.

Sérgio

quarta-feira, maio 28, 2014

Marco Civil x Facebook


Essa é para pensar... Marco Civil pode acabar com o acesso gratuito ao Facebook no celular? Veio do IDGNow:

Imagine você: a partir de 23 de junho, boa parte dos 30 milhões de brasileiros que acessam o Facebook diariamente através do celular, podem ficar em situação irregular, ao menos até que sejam regulamentadas, por decreto, as exceções à neutralidade de rede como definida no Marco Civil da Internet. Isso porque, na opinião do autor da lei, deputado Alessandro Molon, e alguns advogados, inclusive da consultoria legislativa do Senado Federal, o Marco Civil proíbe o acesso gratuito a determinados serviços na Internet.

Mas há controvérsia.

Na prática, o acesso gratuito ao Facebook no celular tem colocado em lados opostos não só os defensores do princípio da neutralidade de rede e as teles, como também muitos advogados, em meio a uma verdadeira guerra de interpretações do texto legal.

As argumentações são bem fundamentadas e revelam muitos aspectos desse complexo mundo das redes de telecomunicações e da Internet.

Vejamos.

Atualmente, a maioria das operadoras móveis oferecem acesso gratuito ao Facebook pelo celular como bônus do pacote de voz. O consumo de dados para acesso ao Facebook a partir desses aparelhos não é cobrado em nenhuma das pontas: nem do Facebook, nem do usuário final. Uma das razões pela qual a Vivo não concordou em oferecer a gratuidade para seus clientes, de acordo com Erick Mello Senra Rodrigues, gerente de Estratégia Institucional e Regulatória da companhia.

“Daqui a pouco um outro provedor de serviços decide que ele também tem o direito do acesso gratuito ao conteúdo dele, porque se o Facebook, o Twitter ou outros têm, ele também tem, por uma questão concorrencial. E a gente acha que se a gente defende que a infraestrutura de rede tem que ser paga, por uma questão de princípio, não podemos dar gratuidade, a menos que o Facebook tope pagar pelo que o usuário está deixando de pagar. Se o Facebook pagar a gente topa”, me explicou o executivo da Vivo esta semana, durante uma café da manhã da TelComp (Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas) que debateu o Marco Civil.

O modelo defendido pela Vivo se assemelha muito com o que o acordo fechado entre a Comcast e a Netflix nos Estados Unidos, temido por todos aqueles que defendem a neutralidade de rede, por flexibilizar a neutralidade na ponta do provedor de aplicação. Na prática, o que a Netflix fez foi criar uma rede IP direta, passando por dentro da Internet, para que o seu conteúdo chegue mais rápido ao usuário final da Comcast, segundo as duas empresas, sem que haja necessidade de a Comcast reorganizar o tráfego para priorizar os pacotes da Netflix em detrimento dos pacotes do YouTube ou do Hulu, por exemplo.

Mas, segundo o executivo da Vivo, não é isso que acontece com o Facebook gratuito. “O acordo com o Facebook é simplesmente um acordo comercial. Não tem priorização de tráfego. O tráfego de dados simplesmente não é cobrado”, explica.

Razão pela qual, no entendimento do advogado Renato Opice Blum, durante palestra no evento da Telcomp, o acesso gratuito ao Facebook não fira a neutralidade de rede, conforme argumenta Carlos Eduardo Elias de Oliveira, do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Consultoria Legislativa do Senado Federal.

“O Marco Civil proíbe a degradação ,discriminação, distinção do tráfego, salvo por questões técnicas. A distinção pode decorrer de acordos comerciais que deem uma condição mais favorável aos players, desde que não haja prejuízo para o consumidor final, o internauta. Portanto, eu posso fazer um acordo comercial com o Facebook e dar o acesso de graça em um plano de voz”, afirma Opice Blum. “Não tem nada no Marco Civil que impeça esse tipo de acordo”.

O consultor jurídico do Senado, reconhece que “a oferta gratuita de acesso à determinada aplicação é uma estratégia de marketing, pois evidentemente tanto o provedor de conexão, que amplia sua base de usuários e o volume de tráfego por suas redes, quanto o provedor de aplicações, que incrementa o potencial publicitário de seu serviço, têm benefícios econômicos indiretos por essa oferta”. Mas argumenta que “ao estimular o acesso a determinada aplicação (como o Facebook), o provedor de conexão viola o princípio da neutralidade de rede, pois privilegia o conteúdo de uma aplicação em detrimento de outro, redirecionando (ou estimulando o redirecionamento) o internauta a determinada aplicação”.

“A gratuidade do Facebook não impede o usuário de acessar o site X, Y, Z, caso o usuário tenha um pacote de dados. Apenas não desconta o acesso ao Facebook da franquia de dados”, argumenta Opice Blum. “O acesso gratuito ao Facebook é uma condição comercial especial”, argumenta o advogado. “O que o artigo nono diz é que ninguém vai poder escolher o que o internauta vai acessar. Não posso proibir o acesso”, afirma Opice Blum. Dar de graça não é proibir o acesso a outros sites.

Retórica que, com certeza, será usada nos tribunais para defender a gratuidade. Outra, certamente, será a baseada no argumento da inclusão digital. O próprio CEO do Facebook lançou mão dele, este ano, durante o Mobile World Congress, para tentar convencer as operadoras de telefonia a embarcarem no projeto Internet.org.

A proposta do Facebook é a de que as operadoras móveis façam parcerias para oferecer acesso gratuito a “um conjunto de serviços básicos”, como a Wikipedia e a própria rede social. Zuckerberg gostaria de ver todas as operadoras oferecendo acesso barato ou até gratuito a determinados serviços. Assim, na opinião do CEO da rede social, fomentariam a compra de seus serviços de conexão para outros fins. “A remuneração viria com o interesse desses usuários em novos produtos”, disse Zuckerberg durante o Congresso.

Aqui no Brasil, todas as vezes que o usuário do acesso gratuito ao Facebook clica em um link na rede social que leva a páginas fora dela, recebe uma mensagem alertando que a partir do momento que concordar em sair da rede social a navegação fará uso de um plano de dados ativo, porque o acesso será cobrado.

Ora, se o provedor de conexão só dará privilégio a uma determinada aplicação (como o Facebook) em detrimento de outra (como o Youtube) isso não é admitido, afirma o consultor jurídico do Senado ao interpretar o Marco Civil. “Aliás, isso viola até mesmo a natureza plural e livre da internet”, afirma o parecer assinado por Carlos Eduardo Elias de Oliveira. “Se os provedores de conexão puderem manipular o acesso dos internautas a determinadas sites, a natureza plural da internet será comprometida”.

A briga vai ser boa. Um decreto a ser emitido pela Presidente da República, com prévia oitiva da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) e do Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.br), especificará os casos que excepcionarão o princípio da neutralidade de rede. O acesso gratuito a determinadas aplicações via plano de voz estará entre as exceções? Precisa estar para ser proibido ou legitimado?

Outro motivo de discórdia é a venda de planos com franquia de dados. De acordo com o parecer do Senado, essa prática é legítima. O acesso gratuito ao Facebook é uma franquia de dados?

Cenário mais temido

Qualquer brecha no princípio de neutralidade de rede, por menor que seja, preocupa os ativistas digitais. Mas o cenário mais temido é, sem dúvida, o defendido pela Vivo: o Facebook pagando pelo consumo de dados dos usuários. O próprio parecer do Senado parte do princípio de que a a oferta privilegiada ao Facebook é feita por meio de uma velocidade de conexão mais célere, ainda que sob o pretexto da gratuidade. O que não é o caso.

Hoje, para a oferta gratuita do Facebook, há distinção dos pacotes? Há. Mas segundo os técnicos, apenas para não cobrar pelo seu tráfego na rede. Não há nenhuma priorização do tráfego, como acontece no acordo entre Netflix e Comcast.

Mas, a exemplo do que acontece agora com a FCC (Federal Communications Commission, a Anatel norte-americana), a equipe por trás da redação do Marco Civil chegou a receber propostas das teles para que esse tipo de arranjo ficasse explícito e a neutralidade não valesse para redes IP dentro de redes IP. Mas opção dos elaboradores do Marco Civil foi foi encarar a rede menos do ponto de vista estritamente técnico e mais do ponto de vista da oferta do serviço ao consumidor, para evitar brechas que possam liberar os provedores de conexão a darem tratamento preferencial ao tráfego de algumas empresas de conteúdo, desde que esses acordos estejam disponíveis a todas as empresas interessadas, em termos “comercialmente razoáveis”.

Nos Estados Unidos, o próprio Facebook se posicionou contra o modelo proposto pela Vivo, em análise na proposta de regulamentação da neutralidade de rede a ser encaminhada pela FCC ao Congresso americano, em breve.

Aqui a torcida agora é para que, de fato, a regulamentação das exceções à neutralidade de rede seja feita de forma aberta e participativa. Só um debate aberto e estruturado ajudará a delinear os limites, sem prejuízo dos usuários.

As operadoras brasileiras apostam que o governo não vai ter peito para tirar de milhões de brasileiros o direito ao acesso gratuito ao Facebook. Será?

Os ativistas digitais argumentam que a neutralidade de rede é um direito muito maior do que o acesso gratuito à rede social. Resta saber se os consumidores brasileiros estão preparados para compreender a amplitude e a importância dessa discussão.

Vale lembrar que, como o acesso gratuito ao Facebook e ao Twitter é tratado pelas operadoras como uma promoção, na própria página do serviço consta o lembrete de que “a promoção é válida por tempo ilimitado e pode ser cancelada a qualquer momento por exclusivo critério da opredora”.

Sérgio

quinta-feira, abril 17, 2014

Ignorante com iniciativa!


E tem sem noção no mundo... Hospital demite servidores após vídeo satirizando enfermagem cair na web. Vídeo foi gravado durante plantão no Hospital Geral do Estado de Alagoas. Conselho regional de Enfermagem diz que tomará as medidas cabíveis. Veio do G1:

Dois funcionários do Hospital Geral do Estado (HGE) de Alagoas foram demitidos e uma terceira servidora vai responder a um processo administrativo após a circulação de um vídeo em redes sociais em que eles aparecem satirizando a profissão da enfermagem. A gravação foi publicada na última semana na internet e repercutiu bastante entre estudantes e profissionais da área. Clique aqui para assistir ao vídeo. Os funcionários não tiveram os nomes revelados pela unidade de saúde e a reportagem do G1 não conseguiu contato com eles. Em tom de ironia, o enfermeiro chega a usar palavrões e termos chulos ao se referir à Florence Nightingale, enfermeira britânica que foi referência no tratamento de feridos de guerra e uma das criadoras da enfermagem moderna. "Existiu uma senhora chamada Florence Nightingale (...). Ela inventou a enfermagem, ela já não presta por isso. Por que? Quando tinha gente doente, o que acontecia? Morria. Ninguém cuidava. Mas aí essa fia da peste (sic) se levantou de manhã e disse 'eu vou cuidar do povo' (...), aí foi e inventou o quê? O cuidado de enfermagem", diz o funcionário, simulando uma entrevista sobre a história da enfermagem. Durante o vídeo, ele também ironiza o plantão noturno e a necessidade de ter que dar banhos em pacientes no leito. "De dia o cara trabalha e de noite o cara tem que dormir", fala um dos funcionários. "E quem quiser, que tome banho em casa", complementa a outra. A assessoria de comunicação do HGE informou que a Coordenação de Enfermagem confirma que o vídeo foi gravado na unidade e que as providências já foram tomadas. Dois dos funcionários que aparecem no vídeo são técnicos auxiliares de enfermagem e tiveram o contrato rescindido. A terceira, que é enfermeira, era efetiva e está respondendo a um processo administrativo.

Reação da categoria

Nas redes sociais, enfermeiros, estudantes e técnicos compartilharam o vídeo indignados. À reportagem do G1, a presidente do Sindicato dos Enfermeiros em Alagoas, Renilda Barreto, afirmou que ficou muito triste e chateada quando assistiu ao vídeo. "Eu me senti super mal. Tenho 25 anos de enfermagem e sou apaixonada pelo que faço e o maior respeito pela profissão. Chegamos a falar com eles [que aparecem no vídeo] e eles disseram que foi tudo uma brincadeira, mas nada justifica essa atitude, ainda mais que as coisas se propagam muito rápido nas redes sociais hoje em dia", afirmou. A presidente disse ainda que apesar das dificuldades enfrentadas em plantões, todos que escolhem a profissão sabem o que vão enfrentar. "A gente repudia qualquer atitude que venha a macular a imagem da enfermagem. Plantão noturno e banho no leito faz parte da nossa profissão, que é a única entre todas da saúde que trabalha 24 horas ao lado do paciente", destacou. Segundo Renilda, o Conselho Regional de Enfermagem de Alagoas (Coren) também está tomando as medidas cabíveis. "Não podemos adiantar nenhuma informação, porque é um processo interno, mas devem, no mínimo, um pedido de retratação a todos".

Sérgio

segunda-feira, abril 14, 2014

Sem noção sofre!


Vítimas de 'nude selfie' e 'sexting' na internet dobram no Brasil, diz ONG. Em 2013, 101 pessoas procuraram ajuda psicológica, informa Safernet. SP responde pela maioria das consultas desde o início de serviço de ajuda. Não é por falta de aviso, é? Matéria G1:

O número de vítimas de "nude selfie" e "sexting" – compartilhamento de fotos íntimas em sites e aplicativos de smartphone, como o WhatsApp – mais que dobrou nos últimos dois anos no país. Os dados são de um levantamento inédito feito pela ONG Safernet Brasil, entidade que monitora crimes e violações dos direitos humanos na internet, em parceria com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público (MP). O estudo mostra que, em 2013, a Safernet atendeu 101 casos de pessoas que tiveram a intimidade exposta indevidamente na web. O número mais que dobrou em relação a 2012, quando a ONG contabilizou 48 pedidos de ajuda.

Os dados, aos quais o G1 obteve acesso, representam os atendimentos psicológicos on-line feitos pela Safernet. Foram contabilizadas como vítimas aquelas que procuraram o serviço gratuito Helpline Brasil ou Canal de Ajuda da ONG e denunciaram o uso e a veiculação indevidos e sem autorização de fotografias, vídeos e conversas com conteúdo erótico ou pornográfico. Para a psicóloga Juliana Cunha, da Safernet, os adolescentes e jovens encontraram nos smartphones uma nova maneira de expressar sua sexualidade. Por isso, o "nude selfie" e o "sexting" fazem parte dessa nova cultura. "O 'selfie' com nudez é mais um jogo sexual, em uma fase de descobertas que sempre aconteceu na adolescência. Para muitas, é uma prova de cumplicidade e intimidade com o parceiro", afirma.

A tendência para 2014 é de aumento no número de consultas psicológicas on-line sobre o compartilhamento indevido de fotos íntimas, estima a ONG. Nos dois primeiros meses do ano, foram feitos mais 21 atendimentos. Para efeito comparativo, no mesmo período de 2013, houve três casos. De 2012 a 2014, os pedidos de ajuda tiveram origem em 166 cidades brasileiras. Desde que o serviço de ajuda on-line começou, há dois anos, o estado de São Paulo responde pelo maior número de casos. Entre janeiro de 2012 e fevereiro de 2014, foram 20 atendimentos vindos de SP, seguidos por 11 da Bahia e seis do Rio de Janeiro. Outra pesquisa feita em 2013 pela Safernet, em parceria com a operadora de telecomunicações GVT, mostrou que 20% de 2.834 jovens brasileiros entrevistados afirmaram ter recebido conteúdos de "nude selfie" e "sexting". E que 6% deles reenviaram essas imagens para outras pessoas.

Vítimas

A pesquisa de atendimentos feita pela Safernet revela que garotas de 13 a 15 anos representam a maioria das vítimas de "nude selfie" e "sexting" que buscam ajuda psicológica. A maior preocupação relacionada a essa prática de compartilhamento é que, uma vez on-line, perde-se completamente o controle da foto ou do vídeo íntimo publicado. "Queremos ajudar os adolescentes e jovens a fazer boas escolhas na rede, sabendo administrar suas publicações e compartilhamentos para evitar arrependimentos e situações de perigo quando pessoas mal intencionadas se aproveitam dessas imagens", destaca o presidente da Safernet e coordenador da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, Thiago Tavares. Recentemente, uma estudante de 19 anos de São Paulo ficou constrangida após fotos suas fazendo sexo grupal com cinco universitários de um time de rúgbi da Universidade Mackenzie terem rodado a internet. Em novembro de 2013, Júlia Rebeca, de 17 anos, se suicidou em Parnaíba (PI) depois que um vídeo seu fazendo sexo começou a circular nas redes sociais.

Prevenção

Nesta segunda-feira (14), a Safernet lança uma campanha mundial contra a divulgação e o compartilhamento nas redes sociais de fotos, vídeos e troca de mensagens íntimas de crianças, adolescentes e jovens. No cartaz da campanha, aparecem mensagens de alerta – como "A internet não guarda segredos" e "Mantenha sua intimidade off-line" – para que imagens íntimas compartilhadas não caiam nas mãos de pessoas erradas.

Crime

A divulgação de fotos, vídeos e outros materiais com teor sexual sem o consentimento do dono pode ser interpretada pela Justiça como crime, de acordo com várias leis. O ato pode ser classificado como difamação (imputar fato ofensivo à reputação) ou injúria (ofender a dignidade ou decoro), segundo os artigos 139 e 140 do Código Penal. O artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) qualifica como crime grave a divulgação de fotos, gravações ou imagens de crianças ou adolescentes em situação de sexo explícito ou pornográfica. Prevê pena de 3 a 6 anos de reclusão e multa para quem publicar materiais que contenham essas cenas com menores de 18 anos.

A Lei 12.737, em vigor desde abril, também criminaliza a invasão de dispositivo informático alheio para obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização do titular. Quem tiver essa conduta pode pagar multa e ser preso por 3 meses a 1 ano. A lei foi apelidada de "Carolina Dieckmann" após a atriz ter seu computador hackeado e suas fotos íntimas, divulgadas. O Marco Civil da Internet prevê em seu artigo 21, que aguarda aprovação do Senado para virar lei, que a vítima pode pedir ao provedor a retirada de conteúdo de nudez da própria pessoa, sem a necessidade de advogado ou de recorrer ao judiciário.

Sérgio

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Para os sem noção, rsrsrs



Dez dicas para não ser visto como idiota na internet. Sensacional artigo de Leonardo Sakamoto... Leia!


Uma amiga ligou e confessou estar #xatiada com o clima cada vez mais violento das redes sociais e páginas da internet, com pessoas pedindo o sangue umas das outras. Como se a nossa sobrevivência dependesse de postagens e tuítes destruidores. Ela queria saber se o mundo enlouqueceu ou se estava sensível demais.

Atravessamos a adolescência da internet, em que as pessoas estão com os hormônios à flor da pele, descobrindo para que servem certas partes do corpo, e fazendo besteira loucamente. Os formadores de opinião têm uma parcela grande de responsabilidade em incendiar o pessoal que não estava acostumado com o debate público. E feito uma criança que nunca viu um gatinho, maltrata o bichinho quando ganha um.

Cultura política deveria ser algo melhor fomentado, desde cedo, não só via estrutura formal de educação, mas ao longo da vida através de espaços públicos e meios de comunicação, evitando simplificações políticas, onde há complexidade de matizes e zonas cinzentas. E mostrando que temos o direito de discordar das pessoas e continuar amigo delas, apesar do beicinho de desaprovação dos que estão à nossa volta.

Para ajudar nisso, listei, com a ajuda de amigos, dez dicas para não ser um idiota na internet. Pois um pouco, é claro, todos somos. Bora lá:

1) Não existe Verdade absoluta. O que temos são pontos de vista e é até aceitável que cada um veja o seu como a sua verdade suprema. Então, defenda o seu argumento mas sem nunca esquecer que ele é apenas isso: a interpretação do mundo que você resolveu chamar de sua. E que, do outro lado, tem uma pessoa – não um perfil, página ou conta de twitter.

2) “Tá bom, mas não se irrite!'', como dizia o sábio Roberto Bolaños. Você não acha idiota alguém que entra no carro e passa a ver provocação em tudo no trânsito? Então, não faça o mesmo com o teclado. Respire, acalme-se, conte até dez. Coloque uma musiquinha do Kenny G.

3) Antes de postar, pergunte-se: este comentário é realmente necessário? Não estou dizendo relevante porque provavelmente não é, tal qual este post. Mas necessário. Se está postando algo só para magoar alguém, putz, sinto informar que você tem problemas sérios… E recuse pauperizações. Porque o discurso indignado fundamentado na própria indignação não vale nada: o vazio conceitual de muita gente faz com que suas posições se confundam. Sejam de esquerda, sejam de direita. Se é pra falar mais, num mundo já tão saturado de palavras, que se fale bem.

4) Petralhas. Tucanalhas. Amantes da Coreia do Norte e de Cuba. Burguesia fétida e morfética. Mensaleiro. Trensaleiro. Esquerdista caviar. Direitista pão com manteiga. Corinthiano. Sabia que atacar o argumentador ao invés do argumento em um debate entrega o quão vazio você é?

5) Leve o Facebook e o Twitter menos a sério. Vou revelar uma coisa que, talvez, não acredite: o mundo vai continuar girando mesmo sem suas postagens nas redes sociais. Aterrorizante, não? Pois, na maioria das vezes, elas são conversas de boteco digitais. Um papo com breja não é tão importante quanto o nascimento da primeira filha, então, contenha-se.

6) Primeiro, leia um texto inteiro (e não apenas o título) e tente entender o que a pessoa escreveu antes de comentar. Nem tudo é preto no branco, considere tons de cinza. Lembre-se que a língua portuguesa tem figuras de linguagem – ironia, principalmente. Não insira palavras e ideias que não estão na postagem alheia ou aplique intepretações malucas escondidas que só os paranóicos vêm. Vai por mim, nem tudo na internet foi publicado para te irritar.

7) Você não está sozinho quando posta uma abobrinha. Milhares de pessoas podem estar lá vendo. Faça um teste: vá até a conexão das estações Consolação e Paulista do metrô e grite a plenos pulmões aquelas coisas fora da casinha que você costuma gritar na rede. Se ninguém estranhar, publique.

8) Há pessoas preocupadas apenas em ganhar debates e ignoram as dores do outro. E ofendem, xingam, maltratam, espantam. E há aquelas que querem construir algo através deles. E ouvem, entendem, toleram, absorvem. Qual desses grupos você acha que vai deixar saudades se partir?

9) Opiniões díspares não devem nos afastar e discordâncias não devem nos separar. Aliás, ninguém concordará com tudo o que está aqui, pois esta lista é arbitrária como toda lista, repleta de equívocos. Nada é tão certo. Nada é tão simples.

10) Aprenda a rir de si mesmo. Todos temos estilos, contradições, somos caricatos. Leitores atentos percebem isso e vão cutucar você. Não se ofenda. Ria junto. Diz muito sobre a inteligência de uma pessoa a capacidade de autocrítica que ela tem. Enfim, #somostodosridiculos.

Sérgio

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Hackers rules!


Não é por falta de aviso... Ameaça de hackers cresce diante da falta de especialistas em segurança. Ataques atingiram maiores níveis desde o ano 2000, diz Cisco. Empresas carecem de pessoal de segurança digital. Matéria G1:

As ameaças de hackers atingiram "níveis alarmantes" em 2013, segundo um relatório de segurança da empresa Cisco divulgado na quinta-feira (16), no qual adverte para a falta de profissionais bem preparados para proteger redes e computadores. A Cisco destacou que os ataques informáticos atingiram os maiores níveis desde que o problema começou a ser acompanhado no ano 2000 e destacou que a tecnologia e as táticas dos criminosos cibernéticos superaram a habilidade dos profissionais de segurança. O problema é que a maioria das organizações carecem de pessoal ou de sistemas para detectar o conter os ciberataques rapidamente, afirmam. "Os especialistas devem entender os agressores, suas motivações e seus métodos antes, durante e depois do ataque", destacou o encarregado do departamento de segurança da Cisco Threat Response Intelligence.

Apesar de o informe desenhar um panorama difícil, a companhia americana informou que "há esperança em restaurar a confiança das pessoas, instituições e tecnologias e isto começa enriquecendo os encarregados da segurança em conhecimentos reais sobre a expansão dos ataques". As táticas dos hackers incluem fraudes praticadas contra os usuários para que revelem senhas e outras informações confidenciais, como dados pessoais ou financeiros. A linguagem Java continua sendo a mais usada pelos piratas, segundo a Cisco, que alertou para um "crescimento significativo" de ataques contra as indústrias agrícola e de mineração, enquanto é registrado um aumento contínuo nos setores de energia, petróleo e gás.

Sérgio

terça-feira, janeiro 07, 2014

Vejam só...


Sinal dos tempos... Há mais robôs do que humanos usando a internet. Veio do Olhar Digital:

Existem mais robôs navegando pela internet que humanos, e boa parte deles está a serviço de criminosos. Um estudo conduzido pela Incapsula concluiu que apenas 38,5% do tráfego da rede é composta por gente; todo o resto está automatizado. O índice de não-humanos na internet subiu 21% em relação ao ano passado, quando 51% do tráfego eram gerados por eles - em 2013 eles representaram 61,5%. A boa notícia é que nem todos esses robôs são perigosos. 31% deles são mecanismos de busca, indexadores de conteúdo, entre outros serviços que ajudam a tornar a rede mais efetiva. O problema está no restante. Dentre os acessos mecanizados, 5% foram feitos por ladrões de endereços de e-mail e conteúdos, 4,5% eram ferramentas de hacking e 0,5%, spammers. Os 20% restantes também estão ligados a malfeitorias. A Incapsula fez uma análise sobre os acessos aos 20 mil sites que compõem sua rede - que cobre 249 países - durante 90 dias. Foram gerados 1,45 bilhão de visitas automatizadas.

Sérgio

terça-feira, novembro 26, 2013

iDisorder


Excelente matéria da BBC Brasil: Como recuperar a concentração perdida com uso de tecnologia. O Psicólogo Larry Rosen, autor de 'A Mente Distraída' (nome brasileiro do livro iDisorder), sugere técnicas simples para aumentar capacidade de ler e aprender, afetada pelo uso excessivo de smarphones e tablets. Não deixem de ler!

Você já se distraiu de uma tarefa para checar seu perfil nas redes sociais? Ou perdeu uma conversa na mesa do restaurante porque estava respondendo mensagens no smartphone? Para Larry Rosen, professor da Universidade Estadual da Califórnia e pesquisador da chamada 'psicologia da tecnologia', você não está sozinho: a capacidade média de concentração dos participantes de suas pesquisas é de apenas 3 a 5 minutos. Depois disso, eles se distraem, sem conseguir terminar seus estudos ou trabalhos.

O problema tende a se acentuar à medida que nos tornamos cada vez mais inseparáveis de tablets e smartphones - e as consequências podem ser ruins para nossa capacidade de ler, aprender e executar tarefas. 'Se ficamos trocando de tarefa, nunca passamos tempo o bastante para nos aprofundarmos em nenhuma delas. Três minutos certamente não bastam para estudar', diz Rosen, autor de livros sobre o impacto social da tecnologia. Sua próxima obra, em conjunto com um neurocientista, se chamará justamente 'The Distracted Mind' ('A Mente Distraída', em tradução livre).

Em entrevista à BBC Brasil, ele sugere técnicas simples para 'reprogramar' o cérebro a reconquistar essa habilidade de prestar atenção. E, no caso de adolescentes, não adianta vetar a tecnologia - mas sim estimulá-la em horas certas. Confira:

BBC Brasil - Nossa capacidade de concentração está diminuindo?

Larry Rosen - Certamente está cada vez menor, e em diversos níveis. Pesquisas mostram que nossa concentração média é de 3 a 5 minutos antes que acabemos nos distraindo, no estudo ou no trabalho. A maioria dessas distrações são tecnológicas - alertas de mensagem, e-mails etc. Culturalmente, seguimos essa tendência. Até TV mudou. Em programas de TV dos anos 1980 e 1990, o tempo de cada cena era muito maior do que é nos programas atuais, que se adaptaram à nossa atenção mais curta. Revistas também fazem reportagens cada vez mais curtas.

BBC Brasil - Isso é um problema?

Rosen - Se ficamos trocando de tarefa, nunca passamos tempo o bastante para nos aprofundarmos em nenhuma, e tudo fica superficial. Três minutos certamente não bastam para estudar, por exemplo. O segundo problema é que, terminada a distração, não voltamos imediatamente à tarefa que interrompemos. Precisamos de um tempo para lembrar onde estávamos. No caso de um livro, temos de reler alguns parágrafos, realocar nosso cérebro. Em uma pesquisa com estudantes universitários, tiramos seus telefones, os dividimos em três grupos - de uso leve, moderado e extremo - e medimos sua ansiedade. Os usuários leves tiveram pouca alteração em seus níveis de ansiedade; os moderados rapidamente ficaram ansiosos, até que esses níveis caíram. Mas as pessoas que usavam muito seus smartphones ficavam mais e mais ansiosas. E neste último grupo estavam justamente as crianças e os jovens adultos. Temos de ensiná-los a evitar essa ansiedade.

BBC Brasil - Será um reflexo disso o fato de as pessoas lerem pouco ou não terminarem muitas leituras?

Rosen - Muitas pessoas já não conseguem mais ler integralmente, elas passam o olho. Percebo isso como professor: ao mandar um e-mail aos alunos, que respondem com dúvidas. Mas essas dúvidas estavam respondidas no e-mail original. Daí eles dizem, 'desculpe, eu só li as primeiras linhas'. Tudo fica mais superficial, mas também mais estressante. Quanto mais trocamos de tarefas, mais damos para o nosso cérebro monitorar.

BBC Brasil - Alguns estudos mostram que isso afeta o desempenho de estudantes e profissionais. Há exagero?

Rosen - Em outra pesquisa, assisti a estudantes durante seus estudos. Pedíamos que eles estudassem matérias importantes, para ver como se concentravam. E vimos que eles só conseguiam manter sua atenção por uma média de 3 minutos. O interessante é que os que conseguiam se concentrar mais tinham notas melhores na escola, e não apenas naquela matéria que estavam estudando. Ou seja, se concentrar melhora o desempenho, na escola, no trabalho e até nos relacionamentos pessoais.

BBC Brasil - Como recuperamos esse poder de concentração?

Rosen - É possível aprender técnicas simples para aumentar a capacidade de focar e não se distrair. Imaginemos, por exemplo, a hora do jantar de uma família comum. Hoje em dia, todos jantam tendo seus celulares consigo. A sugestão é, no início do jantar, que todos possam checar seus celulares por um ou dois minutos. Mas depois têm de silenciá-los e virar seu visor para baixo, para não ver as mensagens chegando. Após 15 minutos marcados no relógio, todos recebem permissão para checar o telefone novamente, por um minuto. À medida que a família se acostuma com isso, aumenta-se gradualmente esse período de 15 para 20 e 30 minutos. E assim cria-se tempo para conversas familiares ininterruptas por 30 minutos, seguido de um minuto para checar o celular. É uma forma de treinar o cérebro a não se distrair, e isso é essencial.

BBC Brasil - É uma reprogramação do cérebro?

Rosen - Você está reprogramando a parte química envolvida no estresse do seu cérebro. Porque o que começamos a ver é: se impedimos as pessoas de checarem seus celulares ou dispositivos tecnológicos, elas ficam ansiosas, (o que produz) alterações químicas.

BBC Brasil - É como um vício?

Rosen - O engraçado é que não é um vício - se fosse, teríamos sensação de prazer ao checar nosso celular.
E a maioria não está obtendo prazer, apenas tentando reduzir a ansiedade e a sensação de não saber se está perdendo algo (na internet ou nas redes sociais).

BBC Brasil - O que podem fazer os professores que querem recuperar a atenção de seus alunos?

Rosen - Em geral, eles terão de usar a própria tecnologia, seja permitindo que os alunos usem seus próprios dispositivos ou trazendo dispositivos à aula. Por exemplo, com vídeos curtos, que costumam atrair os estudantes. Aqui nos EUA, algumas escolas particulares também têm usado mais tecnologias, como iPads e Apple TV, na sala de aula. Isso certamente torna a educação mais atraente. Em escolas que proíbem os aparelhos móveis, os estudantes os levam escondidos e ficam trocando mensagens debaixo da carteira. É melhor, então, que os professores os deixem checar em determinados momentos - por exemplo, a cada meia hora por um ou dois minutos. Se você veta o uso da tecnologia, os estudantes vão ficar o tempo todo pensando no que estão deixando de ver (no celular), nos comentários que a sua foto no Instagram estará recebendo. E, assim, não vão prestar atenção na aula de qualquer maneira.

BBC Brasil - Você vê alguma vantagem no fato de estarmos fazendo diversas tarefas ao mesmo tempo?

Rosen - Em geral, não - a tentativa de fazer muita coisa junta impacta seus relacionamentos. Se você tenta falar com seu marido ou mulher à noite e cada um está vidrado em seu celular, que conversa vai ter? Se você está com seus amigos num restaurante, mas fica no celular, que interação fará com eles? E fico pensando como será quando as pessoas começarem a usar o Google Glass - você vai achar que (seu amigo) está olhando para você, mas ele estará, na verdade, olhando para o que estiver aparecendo nos óculos.

BBC Brasil - Mas tem gente que pode ter uma performance melhor nesse novo ambiente de estímulo constante?

Rosen - Pesquisas mostram que uma parcela bem pequena das pessoas é capaz de funcionar bem nesse tipo de ambiente. Não vi pesquisas de longo prazo a respeito disso, mas imagino que isso seja algo estressante. E no longo prazo isso não é bom para o corpo.

BBC Brasil - As pessoas conseguem definir regras para si mesmas, limitando o próprio uso da tecnologia?

Rosen - Eu costumava enlouquecer com meu feed no Twitter, até decidir checá-lo uma vez só por dia.
Uma das regras que recomendo é: tire seu celular ou notebook do quarto uma hora antes de ir dormir e não se permita checá-los até o dia seguinte. Hoje, nossos estudos mostram que a maioria dos adolescentes e jovens adultos dorme ao lado dos seus telefones e acorda no meio da noite para checá-los. Isso é péssimo para o seu cérebro, que precisa de blocos longos e consistentes de sono. E também prejudica o aprendizado. Acho que isso ainda vai piorar, até que as pessoas percebam o efeito negativo sobre sua saúde. E daí começarão a pensar: será que eu realmente preciso checar meu feed de Twitter 20 vezes por dia? Será que realmente preciso estar em sete redes sociais diferentes? Mas no momento estamos tão empolgados com a tecnologia que somos como crianças em uma loja de doces: queremos experimentar tudo.

Sérgio